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DEVOTO COM PERNA AMPUTADA VIAJA DE TIMON NO MARANHÃO HÁ 11 ANOS POR FÉ EM SÃO FRANCISCO


Idoso de 63 anos pedala 560 quilômetros para agradecer, em Canindé graça alcançada.


Rito não tem data para parar. Enquanto tiver pernas, ou melhor uma perna nada vai me atrapalhar


Desde 2007, o mês de setembro é sagrado para o eletricista autônomo Antônio José da Silva Araújo, de 63 anos. É neste período que ele demonstra o quanto é fervorosa sua fé e devoção por Nossa Senhora. Há 11 anos, o idoso deixa Timon, na região central do Maranhão, onde mora, e viaja cerca de 560 km de bicicleta até o Santuário de São Francisco, em Canindé no Sertão do Ceará, para agradecer a santa por graças recebidas.

A jornada durou duas semanas – começou no dia 17 de setembro dia das Chagas de São Francisco, quando ele partiu de Timon acompanhado dos colegas Marcos Morais de Assunção, 35 anos, Luiz Augusto de Sousa Pires de 53 anos e Francisco das Chagas Marinho, 41 anos que vieram pela primeira vez na romaria sobre pedal.

"O que me motiva, em primeiro lugar, é a fé. Depois a determinação e a força de vontade, que jamais vão me faltar. Tenho muito que agradecer e enquanto eu tiver pernas, nada vai me atrapalhar", disse


Divorciado e pai de oito filhos, Antônio José calcula que já rodou mais de 40 mil km. Ele começou a fazer o percurso sem nenhum motivo especial além da fé no santo. Porém, a saúde debilitada da mãe se tornou mais um incentivo.

"No dia em que vim a primeira vez, em 2007 minha mãe estava acamada e doente. Minha irmã me questionou se eu a deixaria naquela situação. Eu respondi: "Pode ficar tranquila que no outro dia ela já estará boa". E foi o que ocorreu. No outro dia pela manhã, ela levantou, fez café e estava bem melhor", lembra.

Falar da mãe, aliás, é o que mais comove o idoso. Foi ela quem praticamente criou sozinha os nove filhos. O marido dela adoeceu aos 27 anos e não pôde mais trabalhar na lida da roça da família, onde eram plantação de frutas e até um engenho de cana.

Após a primeira viagem, Antônio José prometeu à mãe que voltaria a fazer o percurso nos próximos 10 anos. Porém, antes da morte dela, em 1997, vítima de um enfisema pulmonar, esse período aumentou.

"Ela pediu que eu continuasse. Com a voz embargada. ‘’Ela sempre levantava cedo para fazer o leite e o bolo para mim, como maior carinho. Depois de tudo que ela fez, eu não iria fazer as coisas para ela?", afirma.

Bagagem

Apesar do grande tempo de viagem, o autônomo é bem econômico na bagagem. Dentro da pequena bolsa, vão comida e roupas, além, é claro, de uma imagem de São Francisco, que ele usa para protegê-lo durante o caminho.

Para dormir, apenas um colchonete e um lençol. Antônio, nunca se deu ao luxo de passar a noite em um hotel. O merecido descanso acontece onde for mais fácil, como no pátio de uma delegacia, de um posto de gasolina ou mesmo dentro de uma igreja.

Como o cansaço chega ao limite ao fim da jornada, o retorno para casa é feito de ônibus.

Foto e texto de Antônio Carlos Alves

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Equipe C4 Notícias