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INCÊNDIO QUE JÁ DURA MAIS DE 12 DIAS ESTÁ DESTRUINDO A FAUNA E A FLORA NOS SERTÕES DE CANINDÉ



Um Incêndio, considerado de grandes proporções, continua devastando desde a última sexta-feira (24) uma extensa área na zona rural de Canindé (a 118Km de Fortaleza). Conforme informações da Guarda Municipal, o fogo já atingiu a localidade de Bom Jesus, se alastrou pela caatinga da região de Targinos, distante cerca de 35Km da sede do Município, e estava chegando às proximidades do Assentamento Jacurutu, onde há uma reserva florestal. As causas ainda são desconhecidas.

Todavia, de acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros da região, tenente-coronel Sousa Júnior, a hipótese mais provável é de que o fogo tenha começado após alguém fazer fumaça para espantar abelhas e colher mel. “No local onde começou o incêndio, uma pessoa foi capturar abelha para tirar o mel, aí fez fumaça para sair e não apagou o fogo, deixou. Como está seco, se espalhou rapidamente”. O fogo já devastou aproximadamente 30Km de mata, ressaltou. O sinistro já 12 dias.

Como os locais por onde o fogo se espalha é de difícil acesso a Guarnição do Corpo de Bombeiros em Canindé não tem como chegar com o caminhão tanque. A alternativa viável nesses casos é o trabalho manual, realizado por brigadistas. Como a área do incêndio é na zona rural, não existe risco para a população. Apenas para a flora e para os animais, por ser uma reserva de proteção ambiental do Ibama, onde são recebidos bichos oriundos de apreensões.


Mesmo assim, feira (31) 15 brigadistas de combate a incêndios florestais chegaram para auxiliar cinco homens do Corpo de Bombeiros que trabalham para evitar que as chamas se alastrem ainda mais. A Secretaria de Infraestrutura de Canindé de disponibilizou uma máquina patrol para auxiliar no combate ao fogo. A máquina deverá abrir valas em uma extensão de 1.500Km2 e trabalhar na contenção do fogo. São profissionais do Prevfogo, do Ibama.

ENTENDA O CASO.


FAUNA E FLORA AS MAIS ATINGIDAS COM INCÊNDIOS.

Com uma extensão territorial de mais de 8,5 milhões de km², a maior entre as nações da América do Sul, além da maior biodiversidade, o Brasil já é o país que mais tem registrado focos de fogo no continente em 2018. De acordo com o Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até 15 de agosto, foram 36.780 focos em todo o País. E a incidência vem aumentando nos últimos meses, por conta do ar seco e da falta de chuvas em várias partes do País, algo típico nesta época do ano.

Com isso, flora, fauna e solo, especialmente das áreas protegidas, as Unidades de Conservação (UCs), são comprometidos em diversos níveis. Entenda:

VEGETAÇÃO

As espécies que formam a flora são, de maneira geral, as mais prejudicas pelas queimadas. Ao contrário dos animais, que, em sua maioria, podem fugir dos locais atingidos, e do solo, mais resistente ao fogo, a vegetação sofre de forma mais direta os efeitos da propagação das chamas.

Entre os biomas brasileiros, o Cerrado e a Amazônia são os que mais sentem os impactos das queimadas. Apesar de ocupar cerca de 24% do território brasileiro – muito menos do que a Amazônia, que representa mais de 49% das terras nacionais –, o Cerrado teve 22.813 km² afetados pelas chamas neste ano, quase metade da área total atingida em todo o País. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o bioma tem mais de 11 mil espécies de plantas nativas catalogadas.

Para Ângela Garda, da Coordenação de Prevenção e Combate a Incêndios (COIN), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a fácil propagação do fogo no Cerrado é explicada por dois fatores: a vegetação, formada por grandes extensões contínuas de gramíneas, o que favorece a expansão das chamas; e o clima, caracterizado pela baixíssima umidade.

O Cerrado é o bioma com a maior área queimada neste ano. Mas, em número de focos de fogo, o ranking é liderado pela Amazônia, o maior bioma do País, responsável por 2,5 mil espécies de árvores (um terço da madeira tropical do mundo) e 30 mil espécies de plantas (dentre as 100 mil da América do Sul). Até 15 de agosto, foram 14.881 focos de foco no bioma, ou 40,5% do total registrado no Brasil. Segundo Ângela Garda, do ICMBio, os altos índices amazônicos têm relação com a ação humana, com o desmatamento.

Além da Amazônia e do Cerrado, os demais biomas brasileiros apresentam os seguintes números de focos de fogo: Mata Atlântica (4.928, ou 13,4%), Caatinga (1.813, ou 4,9%), Pampa (489, ou 1,3%) e Pantanal (368, ou 1%).

FAUNA

Muitas espécies animais, especialmente os mamíferos, conseguem perceber, pelo olfato, a chegada das chamas com mais rapidez e migrar para regiões onde o fogo ainda não se alastrou. Apesar disso, dependendo da intensidade, as queimadas podem mudar de forma intensa a vida animal de um determinado local. Se o incêndio atingir áreas extensas ou durar longos períodos, comprometerá o abrigo e a alimentação.

Além disso, as chamas podem causar a morte de animais de mobilidade mais limitada, além de comprometer a saúde pela inalação de gás carbônico. “Existem alguns [mamíferos] de comportamento mais lento, como o tamanduá, o bicho-preguiça e os filhotes. Com as aves, às vezes o ovo, o ninho, está no caminho do fogo. Esses são os grupos mais sensíveis a serem prejudicados pelo incêndio”, ressalta Angela Garda.

Na Amazônia, estão mais de 1/3 das espécies que vivem no planeta. O Cerrado também apresenta uma grande riqueza, com quase 200 espécies de mamíferos, 1,2 mil de peixes, 180 de répteis, mais de 830 de aves, entre outros, segundo o MMA.

SOLO

Por ser um bom isolante térmico, o solo é menos prejudicado do que fauna e flora com a ação destrutiva do fogo. Apesar disso, ele também é danificado com as queimadas. A camada fértil do solo tem, em sua formação, muitas bactérias e micro-organismos, que têm uma taxa alta de crescimento, o que acelera a recuperação. Mas, solos menos férteis, como os típicos do Cerrado, tendem a levar mais tempo para se regenerar após a incidência de fogo. O tipo de solo mais sensível às queimadas no Brasil é a turfa, encontrada no Amapá e em regiões inundadas de vereda. “A turfa é uma camada de matéria orgânica que tem mais de um metro de altura, leva séculos para ser formada e pode ser queimada a nível zero em um único incêndio”, alerta a bióloga do ICMbio.



Fotos e texto de Antônio Carlos Alves

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