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QUASE 25 MILCEARENSES DEIXAM A EXTREMA POBREZA EM 2017


PNAD | O Estado foi o único no Nordeste a reduzir o número de pessoas extremamente pobres e vai na contramão dos índices nacionais

Em 2017, 24.887 cearenses saíram da linha de extrema pobreza. O número representa redução de 3,57% no índice da população que tem rendimento domiciliar por pessoa menor ou igual a R$ 85. Entre 2016 e 2017, o Ceará passou de 8,4% para 8,1% da população nessas condições. O Estado foi o único do Nordeste que apresentou melhora e está na lista das cinco unidades da federação do País que conseguiram reduzir a pobreza extrema.

Analisados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), os dados se referem à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (Pnad), publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Comparando as unidades da Federação, os três estados brasileiros em que ocorreram as maiores reduções ficam na região Norte: Rondônia (-13,64%), Amapá (-10,77%) e Tocantins (-6,82%). O Ceará apresentou a quinta maior redução (-3,57%), atrás de Santa Catarina (-6,67%), em quarto lugar.

"Aqui no Ceará, estamos dando oportunidade para as pessoas mais pobres"


CAMILO SANTANA governador

Em pronunciamento feito pelo perfil oficial no Facebook, ontem, o governador Camilo Santana (PT), celebrou os dados cearenses, creditando o resultado às “políticas de acolhimento aos jovens das escolas públicas, de geração de oportunidades e empregos”. Ele salientou que o Estado vai na contramão do aumento do número de extremamente pobres em âmbito nacional.

“(São) resultados importantes para a população cearense, principalmente neste momento difícil em que o Brasil vive, que é o retrocesso, não só nas políticas econômicas, mas também nas políticas sociais. Estão cortando o Bolsa Família. Isso (crescimento da extrema pobreza no Brasil) é fruto do corte que o Governo Federal tem feito nas políticas públicas, principalmente, para as pessoas mais pobres desse País”, desaprovou.

A condição fiscal do Estado pode ser umas das explicações para o destaque cearense, conforme Jimmy Oliveira, analista de Politicas Públicas do Ipece, e um dos responsáveis pelo estudo. “O Brasil e muitos estados estão com problema fiscal, e estão cortando despesas na área social, o que diminui a transferência de renda. No Ceará não houve cortes”, aponta.

O coordenador do Laboratórios de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Vitor Hugo Miro Couto Silva, explica que a renda domiciliar advém de diversas fontes que tiveram rendimento destacado nos dois anos a que se refere a pesquisa.

Ele frisa o mercado de trabalho com taxas de desemprego no Ceará menores que as nacionais, o que aumenta os rendimentos que têm como fonte o trabalho. O pesquisador ainda ressalta os investimentos públicos no longo prazo em educação, que devem ser fundamentais para a melhoria dos índices de pobreza no futuro.


NÚMEROS

3,5%

foi a redução da pobreza extrema no Ceará entre os anos de 2016 e 2017

8,1 %

da população cearense ainda vive com menos de R$ 85, ou seja, 730.794 pessoas



Educação

Para Couto e Silva, o investimento em educação gera mão de obra qualificada, o que atrai investimentos para o Estado, que leva a melhores taxas de emprego e aumenta a renda domiciliar, refletindo na diminuição da pobreza

ÍNDICE

CEARÁ É 3º MELHOR DO NE

Mesmo com redução, Ceará ainda tinha, em 2017, 730.794 pessoas vivendo em extrema pobreza. O índice de 8,1% é maior que os percentuais de todos os estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste, e só é menor que o do Acre e o do Amazonas, no Norte. No Nordeste, o Ceará tem o terceiro melhor índice, atrás de Paraíba e Rio Grande do Norte.

De acordo com Couto Silva, “a condição (de pobreza) do Ceará, assim como de toda a região Nordeste” e tem relação com “o menor dinamismo de atividades, problemas climáticos, acesso à educação mais precarizado” ao longo da história.

Excetuando os cinco estados e a Paraíba e Mato Grosso, com taxa estagnadas, nos demais houve aumentos. Os maiores aumentos foram no Distrito Federal (56,25%), Mato Grosso do Sul (53,33%) e Paraná (43,75%).

Conforme Jimmy Oliveira, a faixa de “extrema pobreza” a que se ateve o estudo baseia-se no conceito oficial do Governo Federal para definir o acesso ao Programa Bolsa Família.

REPORTAGEM DE DOMITILA ANDRADE

FOTOS DE ANTÔNIO CARLOS ALVES

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