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8ª EDIÇÃO DA PEGA DE BOI NO MATO SERÁ REALIZADA DOMINGO NO SERTÃO DE CANINDÉ.


O evento deve reunir, além de um grande público, mais de 100 vaqueiros, que mantêm a tradição nordestina

Domingo, é dia de reunir a família, os amigos e rumar para a Vazante do Ipu, que abre suas cancelas para apresentar a 8ª edição do Pega de Boi no Mato, reunindo toda a "vaqueirama" canindeense e de outras regiões do Ceará. É o resgate de um dos esportes mais apreciados pelos vaqueiros.
O pega de boi acontece no meio da vegetação fechada, com vaqueiros que se embrenham no mato, em cima de seus cavalos, para pegar o boi. Enfrentam espinhos de juremas e touceiras de xique-xique

A tradição da pega de boi chegou a Canindé, em 2007, através de Romildo Rocha da Fazenda Pedro Rocha para resgatar a história da colonização e a expansão da criação de gado, quando não existiam cercas delimitando as fazendas, e o boi era solto na caatinga. Ao final da estação chuvosa, os fazendeiros reuniam os vaqueiros da região para pegar o boi, marcá-los a ferro e conduzi-los para áreas onde os pastos eram mais abundantes.

O evento é uma maneira de resgatar uma das mais autênticas tradições canindeenses, preservando uma cultura genuinamente nordestina. ´´Nosso objetivo é manter viva a memória de um personagem que faz parte da história da criação de Canindé, reconhecendo a sua importância e seu valor na manutenção dessa tradição", ressalta os organizadores do evento Nego e Victor.

Diferentemente da famosa vaquejada, onde o boi corre numa arena marcada pela cal e é perseguido por uma dupla de cavaleiros, o Pega de Boi no Mato acontece no meio da vegetação fechada, com vaqueiros que se embrenham no mato, em cima de seus cavalos, para pegar o boi. Enfrentam espinhos de juremas e touceiras de xique-xique, demonstrando coragem e valentia. Segundo Nego, deverão participar da festa mais de 300 vaqueiros.


TRADIÇÃO.

Ele lembra que, na época dos coronéis, quando não existiam cercas no sertão nordestino, os animais eram marcados e soltos na mata. Depois de alguns meses, os fazendeiros do sertão nordestino se reuniam para juntar o gado. Mesmo com as dificuldades, eles conseguiam trazer os bois ao coronel. Nessa luta, alguns desses homens se destacavam por sua valentia e habilidade. Foi daí que surgiu a ideia da realização das disputas.

O Ceará é apontado como o Estado que deu o primeiro passo para a prática do esporte. A cidade de Canindé se tornou o berço dessa modalidade, onde a tradição foi resgatada. "Todo fim de semana tem pega do boi no mato na zona rural e até mesmo na zona urbana. É uma disputa sadia", ressalta Werter Cavalcante.

HISTÓRICO.

O historiador Câmara Cascudo dizia que, por volta de 1810, ainda não existia a vaquejada, mas já se tinha conhecimento da pega de boi no mato. Somente em 1874 apareceu o primeiro registro sobre vaquejada. No Ceará, o escritor José de Alencar escreveu a respeito da "puxada de rabo de boi".
"No Nordeste, desde a colonização, o gado sempre foi criado solto. A coragem e a habilidade dos vaqueiros eram indispensáveis para manter o gado junto. O vaqueiro veio tangendo os bois, abrindo estradas e desbravando regiões´´, conta Werter Cavalcante, dizendo que a figura do vaqueiro merece ser honrada.

Sem registros precisos, sabe-se apenas que, em meados de 1940, os vaqueiros começaram a tornar público suas habilidades, na Corrida do Mourão, que começou a ser uma prática popular no Nordeste. De 1880 a 1910, a prática era com a lida do boi, com apresentações em sítios e fazendas. Porém, ainda não existia o termo vaquejada. O Brasil vivia um momento de transição da Monarquia para a República.

De 1920 a 1950, a ideia da festa da vaquejada começava a existir com as brincadeiras de argolas e corridas de pé de mourão. Nesse período, o temido Lampião costumava participar das festas, nas fazendas de amigos. De 1960 a os anos 70, começaram as disputadas das primeiras vaquejadas. Ainda eram eventos de pequeno porte.

De 1980 aos anos 90, as regras da vaquejada foram modificadas. A faixa dos seis metros, que exigia força do vaqueiro, passou a ser de dez metros, cuja principal característica é a técnica. Começam a ser distribuídos prêmios para os competidores. O público ainda era pequeno.

Dos anos 90 até hoje, a vaquejada é encarada como um grande negócio. Os organizadores começam a cobrar ingressos e o público entende a proposta. O vaqueiro é reconhecido como um atleta da pista. Na Fazenda Pedro Rocha, Romildo vai aproveitar o momento para homenagear o centenário de Luiz Gonzaga, um dos maiores defensores da cultura popular do Nordeste.


Na 8ª Pega de Boi, o destaque será a presença do sanfoneiro Werter Júnior, que toca e encanta seu público, União Forrezeira, Vaqueiros do Sertão e Pedro e Samuel. Serão oferecidos R$ 1.600,00 em prêmios para os profissionais, R$ 50,00 de ajuda para os carros no transporte de cavalos, dois bois para os mirins e almoço para a vaqueirama.

Fotos e texto de Antônio Carlos Alves
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