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Morre na madrugada de hoje, 02 de maio, o legendário Sebastião Raposa


Canindé hoje acordou com a fatídica notícia do falecimento de Sebastião Assis Felix, popularmente conhecido como, Sebastião Raposa ou Sebastian Fox, figura folclórica de Canindé que frequentemente era visto perambulando pelas ruas da cidade. 

Sebastião "Raposa" sempre frequentava os velórios dos canindeenses, ricos ou pobres ele sempre se fazia presente, acompanhava a banda de música do Maestro J Ratinho em procissões nas Festas religiosas da cidade.  Sebastião, teve uma vida muito simples, era um exímio jogador de damas, e sempre era visto na calçada próximo ao mercado novo jogando dama com seus colegas.

O velório está acontecendo na Rua Francisca Adenise Cordeiro Nº: 709 no bairro da Bela vista. 

Alguns poetas da cidade, escreveram sobre a vida de Sebastião raposa, dentre eles os poetas Pedro Paulo Paulino e Silvio R. Santos.

“Uma figura emblemática que perambula pelas ruas de Canindé, que parece nem ficar mais velho nem mais moço, é o Sebastião Raposa. Como Fênix, ele parece renascer de dentro de seus trapos sujos, com semblante emoldurado pela barba longa e maltratada e pelos cabelos longos e mais maltratados ainda, nos quais não adentraria um rastelo. É difícil calculhar-lhe a idade, mas aparenta levar uma vida plena de satisfação no seu mundo íntimo e transfigurado, fingidamente ou verdadeiramente avesso a tudo a seu redor.

O bigode e a barba mal disfarçam um sorriso breve e sarcástico, por trás do qual aparecem intervalados os dentes também sujos. Alguém de nós, certa vez, resolveu dar-lhe um nome mais pomposo, sem, mesmo assim, prejuízo de identidade. E passamos a chamá-lo de Sebastian Fox. 

Que trauma incisivo ou glória obtusa aquela sua barba encobre, verdadeiramente não se sabe.

O que se sabe é que ele surge de súbito, barafustando entre os transeuntes. É comum vê-lo nos mais diversos recantos da cidade. O mais das vezes, é notória sua presença nas galerias do mercado público no centro de Canindé, onde passa camuflado, enviesando por entre as bancas sórdidas de comércio, escapulindo em meio ao vaivém, levando sempre a mão sua sacola velha, como um legítimo dândi pelo avesso. Nessa sacola, ele ajunta o que encontra de despojo pela calçada. Em suas investidas burlescas pelas ruas, evidentemente é alvo da graça do populacho que tanto o achincala quanto parece adorá-lo, numa relação quase equitativa.

Sua imagem estereotipada leva-nos a imaginá-lo um conselherista deslocado de seu tempo. Melhor ainda é comparar seu tipo físico com o próprio revolucionário de Canudos, dado o conjunto como um todo. Não é dado a bebida, sem dispensar todavia um gole de cerveja quando porventura oferecem-lhe. Também não é de incomodar. O que não se envergonha de pedir mesmo é o cigarro, e se o entregam, sai-se grato rindo e soltando baforadas, como um fantasma formidável.

Vendo-o assim, é de se questionar que personalidade tão indecifrável vagueia naquele corpo andrajoso mas orgulhoso e tão seguro de si, que vez ou outra não mede consequências em se indispor com gente da alta-roda. Pois Sebastian Fox vê-se digno de ser o que ele é. Quando, o que não é tão raro, encontra outro da sua espécie pela rua, demonstra qualquer coisa de repugnância. É como já foi dito: Sebastian Fox carrega em seu âmago algo de nobre. Há em sua miséria, coerência; é um maltrapilho decente. Como um Carlitos, surge do nada e para o nada se vai, na cidade onde vive sem margem de débito... E há quem diga que o Fox é um exímio jogador de damas.”

Pedro Paulo Paulino.

Em versos, que o decifre agora o poeta Silvio R. Santos, neste soneto:

Não sei se por castigo, o povo a isto ousa,

Por bem ou mal a sujo mendicante,

Em cunho irônico ou edificante,

Apelidou de Sebastião Raposa…



Cabelo sujo e corredio pousa

Endurecido sobre o seu semblante,

Mas nada traz em si de semelhante

Com os canídeos ou que o valha cousa.



Pertence ao gênero pseudalopex

Mas é bípede, e bebe, e come e fuma

Numa quenga se alguém o trata mal...



Os seus andrajos cose com durex

E pelas ruas, sem horário, ruma,

Seu paradeiro não se sabe qual...

Fonte da Crônica: http://vilacamposonline.blogspot.com.br

Descanse em paz Sebastião.
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