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DIA DO ENGRAXATE: PROFISSÃO RESISTE À FORMALIZAÇÃO.

VAVÁ ENGRAXANDO O SAPATO DA PREFEITA ROZÁRIO XIMENES

27 de abril é o Dia do Engraxate. Em homenagem a esses profissionais, um pouco da história daqueles que continuam em plena atividade na Praça Tomaz Barbosa, centro comercial de Canindé, Ceará.

Um antigo ditado sugere que os bons hábitos de um homem podem ser medidos pelos cuidados com os sapatos que usa. A regra é cada vez menos propagada, mas o costume de dar um lustre aos calçados já foi tão forte que deu fôlego à atividade do engraxate, antiga profissão autônoma que ainda sobrevive na contramão do processo acelerado de formalização do mercado de trabalho nos últimos anos. 

Desde 2002, foram criados no país cerca de 12 milhões de empregos com carteira assinada. A geração de vagas deve fechar este ano superando a marca dos 14 milhões de empregos com registro num período acumulado de 15 anos. O resultado é a diminuição do peso do trabalho por conta própria na economia. Ainda assim, uma clientela assídua garante renda a quem ganha à vida renovando a boa aparência dos sapatos.

É certo que o trabalho informal vem perdendo ao longo dos anos sua importância, “absoluta e relativa”, como destaca o presidente do Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada (IPEA), Márcio Pochmann. Ele explica que determinadas profissões, como a do engraxador de sapatos, nasciam da incapacidade do mercado formal de absorver esses trabalhadores, o que começou a ser modificado com a restruturação da economia observada a partir dos anos 1990. A tendência, segundo o especialista, é de que a importância desses ofícios se torne ínfima, restrita a um mercado formado em sua maioria por profissionais mais velhos.

Na Região Central de Canindé, três engraxates sobrevivem da profissão, desafiando o mercado dominado pela indústria do tênis e outros itens esportivos. Há cerca de 20 anos, a demanda pelo serviço era tanta, que cada profissional chegava a engraxar 50 pares por dia. Hoje, em dias de boa freguesia, esse número não supera 25 clientes.

JOSÉ NERIS DA SILVA O PEBINHA, HISTORIADOR CÉSAR MAGALHÃES E RAIMUNDO FERREIRA - O MOCOZINHO

Na Praça Thomaz Barbosa, o mercado era disputado 10 profissionais, ao passo que atualmente são apenas três. Ainda assim, quem não abandonou o ofício garante que a renda apurada, tem sido suficiente para sustentar a família.

Valdemir Pereira Silva, o Vavá, desde 2000 trabalha na arte de limpar sapatos. A média é seis pares por dia, 25 sapatos por semana e 40 por mês. ‘’Herdei a profissão de meu pai, José Morais de Sousa, o Pebinha hoje com 79 anos’’, diz.


Raimundo Ferreira Lins, o Mocozinho é um exímio engraxate. Relíquia de uma época, ele lustrou o primeiro par de sapatos ainda menino, aos 8 anos, e desde então está há 28 no ramo, agora na Praça Thomaz Barbosa.

“Nunca pensei em mudar de profissão. Gosto de engraxar. Os fregueses pagam à vista pelo serviço”, explica, enquanto lustrava os sapatos do engenheiro Flávio Magalhães.

No Centro da cidade, os preços do serviço variam de R$ 3 a R$ 5. O aposentado Marco Herodiano da Cunha é um freguês assíduo. Diariamente, ele renova o brilho dos sapatos de couro, hábito que preserva desde a juventude, desembolsando R$ 15 por semana. “Meu pai costumava dizer que um homem asseado, se conhece pelos sapatos”, diz. Aos 67 anos, Herodiano também se rendeu ao tênis que usa nos fins de semana, mas não acredita que os autônomos terão um fim, defendendo uma teoria simples, mas consolidada. “A elegância do homem está no sapato. E quem vai engraxá-los?”.

A abertura do mercado de trabalho estimula a busca pela formação e por empregos melhor remunerados, observa o professor Sérgio Ramos. Para ele, a tendência é de que a profissão desapareça com o tempo, empurrada pela forte formalização do mercado de trabalho.

Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em março de 2017 a taxa de desemprego no interior era de 21,3%, caindo pela metade, para 10,2%, em março passado. 

Everaldo Ferreira é outro que resiste a modernidade. Filho de Mocozinho, ela se orgulha de já ter engraxado o sapato do ex-governador do Ceará Cid Gomes, ‘’Tudo que tenho hoje, casa, moto, foi com dinheiro de consertos e graxas nos sapatos. ‘’Tenho orgulho de ser sapateiro’’, diz Everaldo que está há exatos 17 anos no ramo de polir os pés da sociedade canindeense.

Fotos e texto de Antônio Carlos Alves
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