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TURISMO RELIGIOSO GANHA FORÇA NO SERTÃO DO CEARÁ


As cidades de Canindé, Quixadá, Quixeramobim e Juazeiro do Norte, de acordo com uma pesquisa do Ministério do Turismo, aparecem na categoria ‘’C’’, do Turismo Religioso o que demonstra a nova fatia econômica no País; o turismo da fé. Essas mecas estão ganhando novas estruturas para poder receber os visitantes com uma maior comodidade.

O olhar do aposentado Mariano Lino sobre as obras de pavimentação nas ruas do Alto Guaramiranga que dão acesso a Estátua de São Francisco, dar o toque de expectativa no novo visual, que passa a contribuir para o fortalecimento da cadeia produtiva turística. 

As intervenções em andamento no bairro, em parceria com o Governo do Estado, são parte do que está previsto no Projeto de melhorias para o turismo religioso, que a cada dia cresce no Ceará. Canindé terá ainda o Corredor Religioso, programa que irá modificar a estética dos principais pontos de atração religiosa da cidade.


Ruas como Juca Martins, Aristides Rabelo e Jota Pinto, que formam o corredor de acesso para o monumento foram asfaltadas, melhorando assim a trafegabilidade e a mobilidade dos romeiros, devotos e fiéis do santo, que todos os dias visitam o local no Alto do Moinho. Ao todo foram 30 mil metros de asfalto espalhado pela cidade. O mapa do turismo identifica as cidades de interesse turístico e aquelas que, de alguma forma, se impactam pelo turismo – como, por exemplo, aquelas que não recebem turistas, mas enviam mão de obra ou insumos para cidades vizinhas que são efetivamente turísticas.

De acordo com o Ministério do Turismo, dos 26 estados do país, 24 tiveram o número de municípios reduzido entre as versões de 2013 e 2016. Apenas Pará e Santa Catarina registraram um aumento.

Segundo o Governo do Ceará (Secretaria de Turismo), no entanto, a queda no número de cidades é considerada benéfica, pois, com uma versão mais enxuta, "os órgãos conseguem priorizar, efetivamente, os Municípios que adotam o turismo como estratégia de desenvolvimento".


"Através do mapa, o dinheiro público é mais bem aplicado nas regiões que realmente têm vocação turística", diz Rogério Coser, diretor do Departamento de Ordenamento do Turismo. "Se pudéssemos atender os 5.570 municípios do Brasil com muito dinheiro, estaríamos com um sorriso de orelha a orelha. Mas, infelizmente, a situação está difícil, então temos que usar o pouco que temos da melhor forma possível."

De acordo com o ministério, o mapa atual "traz um retrato mais adequado à realidade do país", pois nem todas as cidades da versão anterior tinham potencial turístico. Isso porque 92% (1.078) dos municípios que deixaram o mapa estavam listados como ‘’D e E’’ dentro do programa de categorização dos municípios turísticos – ou seja, já não tinham infraestrutura capaz de atrair turistas para suas cidades.


Elaboração do mapa


O mapa funciona como uma base de orientação para melhor direcionar políticas e verbas públicas para áreas e cidades com potencial turístico.

"É um instrumento que visa auxiliar o Governo Federal e os Estados na aplicação das Políticas Públicas de Turismo. Com o mapeamento, o gestor consegue direcionar as verbas para as regiões certas, pois às vezes vemos verbas sendo usadas em cidades que não têm vocação para o turismo. Pode até ser em uma excelente obra para o município, mas pode se tornar um elefante branco por causa da falta de demanda", diz Coser.

A construção do mapa é feita em conjunto com os órgãos de turismo estaduais. Foram feitas oficinas e reuniões em todos os estados para definir quais cidades se enquadram nos critérios adotados. Esses critérios são baseados em uma portaria do ministério que considera, entre outras questões, a existência de um órgão responsável pelo setor, de verba específica e a oferta turística regional. A cidade também precisa assinar um termo de compromisso com o Ministério do Turismo.

"Os municípios e as instâncias regionais fizeram reuniões, discutiram e decidiram quem tinha ou não condições de entrar no mapa. Essas informações foram homologadas e passadas para o Ministério do Turismo, que fez o mapa", diz Coser. "Nesse processo, algumas cidades foram retiradas do mapa porque infelizmente não atenderam os critérios da portaria. Não é o ministério que diz que o município x ou y fica ou sai do mapa. Quem conhece a realidade do turismo local são os próprios municípios e estados."

O diretor afirma que o mapa não é uma política exclusiva, mas "apenas uma ferramenta para a melhor aplicação dos recursos públicos". Assim, uma cidade que não entrou no mapa na versão atual pode entrar na próxima, caso se enquadre nos critérios utilizados. Ele destaca também que o Tribunal de Contas da União e o Senado Federal reconhecem a atualização periódica do mapa como uma boa prática do executivo do Ministério do Turismo.


Categorização

Além de mostrar quais cidades têm potencial turístico, o mapa divide os municípios em categorias de A até E. A categorização é feita a partir de uma análise de dados quantitativos, como número de estabelecimentos de hospedagem, número de empregos formais ligados ao turismo, estimativa de turistas de demanda doméstica e internacional, entre outros fatores. Uma cidade categorizada como A, por exemplo, tem demandas e infraestrutura turísticas bem superiores que uma cidade categorizada como E.

De acordo com o mapa, 29% (630) dos municípios estão nas categorias A, B e C. Esses municípios concentram 93% do fluxo de turistas doméstico e 100% do fluxo internacional.

Os demais 1.545 municípios (71% do total) estão nas categorias D e E. Esses destinos não possuem fluxo turístico nacional e internacional expressivo, mas, segundo o governo, alguns possuem papel importante no fluxo turístico regional e precisam de apoio para a geração e formalização de empregos e estabelecimentos de hospedagem.

“Essa categoria serve para subsidiar as decisões estratégicas de políticas públicas e de políticas específicas para cada tipo de município”. Não adianta construir um megacentro de eventos em uma cidade de quatro mil habitantes, por exemplo’’, diz Coser.


Fotos e texto de Antônio Carlos Alves
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