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UM CAMINHO PARA SUSTENTABILIDADE: PROJETO ÁGUA DOCE MUDA VIDA NO SERTÃO DE CANINDÉ.


‘’Não é novidade, é quase um milagre’’. A frase da jovem Anália Maria Ribeiro Freitas, que faz parte das 22 famílias da comunidade de Cametá, que fica a 50 quilômetros da sede de Canindé, retrata com eficiência a importância do projeto ‘’Água Doce’’, no semiárido nordestino.

Anália foi uma das moradoras do semiárido que recebeu a visita da caravana das águas, formada pela consultora do Programa Água do Doce Solange Amarílis dos Santos, Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente Urbano e Departamento de Revitalização de Bacias Hidrográficas do Ministério do Meio Ambiente, além de Jane Guedes – Mobilizadora Social, e, Liduína Carvalho, geóloga da Secretaria de Recursos Hídricos e o Secretário da Agricultura e Recursos Hídricos de Canindé, engenheiro agrônomo Roberto Lopes.

Durante a visita Solange Amarílis conversou com os moradores das localidades de Cametá, Lagoa Verde e Canudos, e pode ouvir a narrativa de cada um que se misturava a emoção de ter água na torneira. ‘’Fico emocionado ao ver tudo isso. Antes nós bebíamos água sem procedência e que gerava uma série de doenças, principalmente nas crianças’’, disse Luís Isidio da Silva, 70 anos, conhecido com Luís Dão com os olhos cheios de lágrimas. Ele mora em Cametá há 54 anos.

‘’Passei minha vida inteira carregando água no lombo de um jumento. Foi o sofrimento pior de minha vida’’, frisou.


Canindé, localizado numa área 3.218,841 km2, onde a média pluviométrica é 756 milímetros anos e enfrenta cinco anos de seca, é um dos primeiros do Estado a ser contemplado com um programa de largo alcance social que irá acabar de vez com o problema de abastecimento humano e tirar de cena o famigerado carro e o jumento pipa, que ainda é fácil de encontrar no Sertão.

Ao todo 17 comunidades ganharam o benefício. Em vários locais o sistema está instalado, garantindo cidadania, respeito ao meio ambiente e matando a sede de várias famílias com apenas R$ 1,00 para 20 litros de água potável e pronta para o consumo. Cada empreendimento custou aos cofres públicos R$ 144.576,00. Até a energia é paga pela comunidade. No último vencimento, a taxa foi de R$ 52,27.

São atendidas com o precioso líquido, moradores de Cacimba de Dentro, I e II, Santa Luzia, Fundões, Esperança, Saco da Serra e São Vicente. 

Nas comunidades foram instalados tanques para consumo animal, e preservação do solo e meio ambiente, além de três caixas de cinco mil litros de água doce, bruta e concentrado. Francisco Isidio Filho, Presidente da Associação Comunitária de Cametá que mora na localidade há 40 anos disse que sua vida mudou e até as doenças causadas pela água sumiram com a chegada do ‘’Água Doce’’. ‘’Agora somos tratados como pessoas’’.


O programa ‘’água doce’’ estar implantando e recuperando 222 sistemas de dessalinização em várias cidades em estado critico, beneficiando mais de 100 mil pessoas no Ceará.

O Governo Federal já liberou R$ 24 milhões para o incremento do programa, coordenado pela Secretaria dos Recursos Hídricos. ‘’O programa Água Doce é uma ação coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente em parcerias com as instituições federais, estaduais, municipais e sociedade civil, e visa estabelecer uma política permanente de acesso à água de boa qualidade para o consumo humano’’, frisa Solange Santos.

Promover e disciplinar a implantação, a recuperação e a gestão de sistemas de dessalinização ambiental e socialmente sustentáveis, em parceria com o programa Brasil sem Miséria é outra medida do programa. ‘’Essa é a grande metodologia do programa, não adianta implantar sistemas sem antes dar condições de sobrevivência ao homem do campo’’, assegura.

Criado em 2008, a ação atende prioritariamente às populações de baixa renda em comunidades difusas do Semiárido. Canindé, no Sertão Central, é um dos primeiros Municípios beneficiados.

Conforme o Ministério do Meio Ambiente, o programa continua implantando e recuperando equipamentos em 48 cidades cearenses em situação mais crítica.

A Região dos Sertões de Canindé é uma das mais prejudicadas em termos de águas subterrâneas. Cerca de 80% do seu território encontra-se sobre o embasamento cristalino, onde predominam solos rasos. Os poços localizados nessas zonas, em sua maioria apresentam altas concentrações de sais, que podem colocar em risco a saúde humana.


Segundo a Mobilizadora Social do projeto ‘’água doce’’ na região, Jane Guedes, os recursos oriundos do Ministério do Meio Ambiente estão sendo utilizados na aquisição de equipamentos usados na dessalinização de poços profundos. Eles irão garantir o consumo de água salobra, salinizada nos Municípios do Ceará. No Sertão Central, 11 cidades estão sendo contempladas com o programa. Essa é uma ação estruturante em parceria direta com os Municípios. ‘’O objetivo é diminuir a carência das comunidades que não tem acesso à água de qualidade.

O programa exige a gestão sustentável dos sistemas com o auxílio das comunidades na operação e nos cuidados com os equipamentos’’, explica o Secretário de Agricultura e Recursos Hídricos de Canindé Roberto Lopes.

Segundo ele, primeiro, foi feito um estudo de diagnósticos em 34 localidades de Canindé e desse total, apenas 17 serão atendidas. Para não prejudicar o solo, será formado um acordo de gestão para saber quem gerencia o programa. Para isso, operadores foram capacitados para um projeto de sustentabilidade ambiental em todo o Ceará.

A geóloga Liduina Carvalho, confirma que as 17 comunidades rurais do Município receberão o sistema que garante tratamento de água salobra e atenderá a cerca de 200 famílias. ‘’Os locais beneficiados foram escolhidos a partir de análises de técnicos do programa, levando em consideração a viabilidade de instalação dos sistemas. O programa só atende comunidades com no máximo 15 famílias. Cada beneficiário precisa ter um poço profundo com vazão de mil litros por horas e três reservatórios com capacidade de cinco mil litros’’, explica.

Faz parte da lista dos beneficiados Assentamento Pedra - Nova Vitoria, Carnaúba dos Barrosos, Cachoeira dos Alves, Oiticica do Curu, Cametá, Assentamento Alegre, Vaca Brava, Assentamento Guarani Bom Lugar, Conceição do Bonifácio, Assentamento Canudos, Assentamento Sousa, Serrote Branco, Santa Clara II, Cachoeira dos Coelhos, Lagoa Verde e Piedade.

Hoje Canindé tem seis mil famílias, em 278 comunidades, que ainda são abastecidas diariamente pelo carro pipa. A Prefeitura, no entanto, tem encontrado dificuldades para atender a demanda. A saída para amenizar o problema é a perfuração de poços tubulares, e a instalação de cisternas. Mas além da escassez de água doce na superfície, Canindé, enfrenta o problema da alta quantidade de sal nas águas subterrâneas. ‘’Estamos buscando novas parcerias no sentido de instalarmos ao longo de nosso Governo novos poços profundos equipados com dessalinizador, além de abastecimentos de água através do Projeto São José III’’, garantiu a prefeita Rozário Ximenes.



Texto e Fotos: Antônio Carlos Alves.

















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