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TEJUÇUOCA: A CIDADE ONDE O BODE É REI


Nem mesmo a seca que se abateu no Nordeste inibiu a iniciativa da caprinocultura na cidade. Ao contrário, o programa Bolsa Bode avança pelo sexto ano propiciando renda e garantindo a subsistência de famílias de baixa renda.

Criado no dia 11 de janeiro de 2010, pelo ex-prefeito de Tejuçuoca, Edilardo Eufrásio, o programa Bolsa Bode é uma referência de convivência com o semiárido na região do Nordeste. Localizado no Vale do Curu, o município tem uma área de 750,60km2, onde 90% desse território é usado para criação de caprinos e ovinos.

O rebanho de caprinos e ovinos em todo a região é de mais de 28 milhões de cabeças. Em Tejuçuoca, existem pelo menos quatro bodes, carneiros, cabras ou ovelhas para cada um dos 16.086 habitantes e nem mesmo a seca deste ano tirou o foco do projeto. Os 20 criadores da primeira etapa estão superando obstáculos e mantendo a criação de ovinos e caprinos.

“No momento em que o Brasil leva a sério o combate à fome, a caprinocultura é a grande saída para as regiões mais secas", afirma Edilardo, que ficou conhecido nacionalmente como "prefeito do bode". Na primeira etapa, foram investidos R$ 200 mil na Bolsa Bode.

A 155 quilômetros de Fortaleza, Tejuçuoca é a "capital nacional do bode". Para isso foi criado o Tejubode, que reúne criadores do Nordeste, em eventos agropecuários de três dias, que ultrapassa 120 mil pessoas. Ou seja, seis vezes mais que a população da cidade. O programa começou com a inclusão de 20 jovens da zona rural, com idade entre 18 e 29 anos matriculados no 8º ano do Ensino Fundamental e o 3º ano do Ensino Médio.

Os selecionados receberam uma bolsa mensal no valor de R$ 100,00; dez matrizes todas prenhas e um reprodutor, além de contarem com toda assistência técnica necessária através da Secretaria de Desenvolvimento Rural para o empreendedorismo, com fins de produção de pequenos animais no semiárido. Também receberam uma capineira e aprisco com capacidade para 36 animais.

Os jovens não escondem o orgulho de fazer parte de um projeto que está servindo de referência para o Brasil inteiro. É o caso de Maria Edilene Barbosa da Silva, que antes de participar da Bolsa Bode ajudava sua mãe nos afazeres domésticos.

‘’O bode é nosso orgulho, e tem grande aceitação. Depois que entrei no projeto, tenho passado por uma experiência muito boa sobre o bode que tem venda garantida. “A nossa grande dificuldade foi com água, mas agora tudo melhorou”, diz Edilene, residente na localidade de Riacho das Pedras, a 10 quilômetros da sede. Pioneira no projeto, já tem em seu rebanho mais de 25 cabeças de caprinos.

Também criador João Batista Amaro Magalhães tem uma cisterna de enxurrada com capacidade para 52 mil litros de água e já se encontra com 55% de sua capacidade, um aprisco de linha para abrigar 36 animais e uma capineira (plantio de capim) em dois hectares de terra. Foi assim que conseguiu vencer as dificuldades da falta de chuvas por cinco anos consecutivos.

‘’A seca prejudicou muito o crescimento dos rebanhos, mas agora é arregaçar as mangas e começar tudo de novo. Cheguei a possuir 60 cabeças de ovelhas. A seca me fez vender mais de 30 e consumir algumas, mas as que ficaram já somam 11 matrizes e mais o reprodutor. Logo terei um rebanho igual ao anterior, porque a cisterna ajuda bastante’’, disse.

Inovações

‘’Mesmo sendo uma cidade de médio porte, Tejuçuoca se destaca pelas suas inovações. “Neste ano, foram feitas cacimbas nos leitos dos rios, cisternas de enxurradas, poços artesianos e muitos esforços para manutenção da Bolsa Bode que, em 2015, formou sua segunda turma pronta para receber os animais’’, diz o prefeito da cidade, Valmar Bernardo.

Nelberto Coelho Almeida, da comunidade de Boa Ação, tem 30 animais e teve que devolver apenas uma fêmea para fortalecer o programa na segunda etapa. "Hoje sou meu próprio patrão", afirma com orgulho. ‘’Para se ter uma ideia, os jovens apresentaram na feira de 2014, 380 animais frutos dos esforços de cada um’’, comemora o prefeito.

De acordo com a presidente da Associação dos Criadores de Ovinos e Caprinos de Tejuçuoca e responsável pelo acompanhamento do programa, Carla Lima, todo o processo para atender a segunda turma está pronto. Em sua opinião, foi uma iniciativa de sucesso. Por isso, só há motivos para celebrar festivamente.

O êxito da criação de bodes nesta cidade se dá exatamente pelo que representa de resistência perante as limitações hídricas ocasionadas pela seca. Daí que há uma unanimidade entre autoridades de reconhecer a caprinocultura como uma atividade associada diretamente com a convivência do homem do campo com o semiárido.

Em março deste ano, uma comitiva de Alagoas veio conhecer o projeto. ‘’É um programa de retomada. Quando a seca passar, não basta chover. Vai ter de recuperar rebanhos de bode, cabra, ovelha. O Governo Federal precisa pensar nisso. Está atento a isso’’, observa o Prefeito de Delmiro Gouveia Flávio Constantino que acompanhou a missão. ‘’Para o Deputado Federal Danilo Forte, que luta por recursos para o Tejubode e o Bolsa Bode, "a seca existe, e é um fenômeno climático, mas é possível conviver bem com ele, desde que ocorra mudança de filosofia de vida, no que diz respeito à produção agrícola, a partir de projetos viáveis a este tipo de clima, realidade que já ocorre em várias regiões do mundo.

‘’O Nordeste é um paraíso e a vocação da região é agrícola. Tem mais chuva que muitas regiões áridas do mundo, mas que é preciso investir em culturas rentáveis. Os Estados Unidos têm lucro de US$ 16 bilhões por ano, com plantas medicinais. “O que falta ao Brasil é uma mudança de visão, de mentalidade quanto à forma de conviver com a seca”, afirmou o parlamentar.

Para Danilo Forte, "É preciso tirar proveito desse tipo de clima. É preciso aliar obras de infraestrutura e tecnologia a culturas viáveis às condições climáticas da região Nordeste e o bode é a prova disso". "Em Tejuçuoca tem dado certo criar o animal e buscaremos recursos para fortalecermos mais ainda a Bolsa Bode’’, assegurou.

Para o Deputado Estadual João Jaime, “a região é um pedaço da nação semiárida onde chove menos no País”. O bode é bicho sagrado". “A nossa preocupação é com água”. Para isto, estamos lutando junto ao Governo do Estado, através da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, por um abastecimento próprio para cada integrante da Bolsa Bode. Com água tudo se resolve. O Danilo Forte vai atrás do dinheiro e nós corremos em busca da água. É o casamento perfeito para o sucesso do programa’’, concluiu João Jaime. 

Fotos e texto: Antônio Carlos Alves
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