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MISSA DO VAQUEIRO EM VILA CAMPOS MANTÉM VIVA TRADIÇÃO NO SERTÃO NORDESTINO.

 

Vindos de diferentes locais do Município, os montadores demonstraram talento.

No Sertão Nordestino, vários são os santos que recebem homenagem dos vaqueiros, que tiram um dia de sua luta para prestarem reverencias ao santo de devoção. São Francisco, Santo Antônio, São Bernardo, enfim muitos são os santos que recebem esse carinho. Com São Roque na Vila Campos não foi diferente; os heróis camponeses participaram de uma verdadeira veneração ao padroeiro do lugar.

Na intimidade com as montarias, gibões, chapéus de couro, o som dos chocalhos, das batidas das ferramentas implantadas nos cascos dos cavalos, aboios, repentes e músicas do inesquecível Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que neste ano, se vivo estivesse completaria 101 anos. As celebrações em homenagem ao vaqueiro Sertão afora, fazem parte do calendário oficial de eventos do Estado, conforme da Lei 14.520/2009.


O ato litúrgico que foi realizado na Igreja de São Roque em Campos Velho após a cavalgada e a procissão com a imagem centenária no percurso de um quilômetro, remonta e mantém viva a nossa tradição no Sertão Nordestino.

A organizadora da missa, Verônica Paulino, coordenou todo trajeto com orações e pedidos de proteção ao santo que abençoa a Vila em tempos bons e ruins e só deixa sua morada oficial na residência de dona Enide Daniel nesse período do ano.


O culto a São Roque começou em Vila Campos em fins do séc. XIX. Atribui-se ao potiguar Raimundo Batista de Moura a fundação do povoado e a realização da primeira celebração ao padroeiro. A capela, segundo pesquisadores, é a mais antiga do interior de Canindé. Passou por reforma em 1905, com ajuda de Pedro Paulino Viana, patriarca da localidade. Um fato marcante na história do povoado foram as gravações realizadas pela tevê Globo, em março de 1991, do especial "Os homens querem paz". Paulo Betti, Regina Dourado, Herson Capri, Roberto Bonfim e a estreante Letícia Sabatella estiveram em Campos participando das gravações.

Essa miscigenação cultural reúne centenas de vaqueiros de vários municípios do Ceará e cidades do Nordeste. Todos em um só sentimento, para transformar a festa em um dos maiores acontecimentos religioso durante os festejos alusivos àquele que retrata uma história de sofrimentos e alegrias: ‘’São Roque’’.

Em cima de seus cavalos, eles participam da celebração, rezam pedindo paz, saúde e agradecem as bênçãos alcançadas. No rosto de cada vaqueiro, foi possível ver as marcas de uma vida de muito trabalho debaixo do sol forte do sertão, motivo de orgulho para eles.

Na hora do ofertório, os vaqueiros depositaram no altar objetos do cotidiano e instrumentos usados na lida com os animais. Durante a celebração, presidida pelo frei Sérgio, do Santuário de São Francisco das Chagas de Canindé, a emoção tomou conta dos presentes.

A primeira missa celebrada em homenagem aos vaqueiros no Estado do Ceará foi celebrada em 1965, na Fazenda São Paulo, de propriedade da Casa de São Francisco, e depois aconteceu uma vaquejada. ‘’

‘’Os vaqueiros precisam manter essa tradição. Os outros vão dando continuidade de maneira rústica e original. Tudo isso deve ser preservado, porque o vaqueiro é abençoado por São Roque’’.

O franciscano também destacou que os vaqueiros, para serem felizes, devem escutar a palavra de Deus e de Nossa Senhora, procurando colocar em prática a doutrina. ‘’A felicidade está na nossa mente, no coração, nas nossas palavras. Ser feliz é seguir os passos divinos’’, salientou. "A Missa do Vaqueiro de Vila Campos é uma tradição que vai passando de pai para filho".

Para o poeta popular Pedro Paulo Paulino, um defensor da cultura popular que todos os anos vêem participar da missa, a vida dos vaqueiros de hoje não difere de antigamente. ‘’Correr atrás do animal desgarrado faz parte do seu dia a dia. No Nordeste brasileiro esta prática é bastante comum, eles são vistos por estradas de terras, vestidos de roupa de couro, correndo atrás das reses, arriscando sua vida em plena Caatinga’’, disse.

‘’O vaqueiro é um símbolo de coragem e arrojo dos sertanejos. Figura lendária, que desafia o tempo. “Há mais de um século eles correm pelo campo em busca das reses desgarradas”, frisou o poeta.

É como dizia o escritor Euclides da Cunha em seu livro "Os Sertões": "o vaqueiro atravessa a vida entre ciladas, surpresas repentinas de uma natureza incompreensível, e não pede um minuto de trégua".

Destemidos, os vaqueiros não pensam nos riscos, quando entram no mato. Homens e animais, no mesmo ritmo, inspiram versos dos poetas aboiadores, conforme observou o padre.

Aos 88 anos, o vaqueiro Cosmo Paulino lembra que participou pela primeira vez da missa em 1960, depois disso nunca mais deixou de vir agradecer a São Roques pela sua proteção. Ele disse que é uma felicidade estar na festa e ainda com força para trabalhar. "Ser vaqueiro é cuidar do gado, dos cavalos e ter amigo", ensina o vaqueiro.

‘’Eu monto todos os dias. Se eu deixar isso eu acho que morro. Quero morrer na luta do gado’’, contou ele, que começou a lida com gado quando tinha 10 anos de idade.

Outro que entra no histórico é Acrísio Santos de Sousa, de apenas 04 anos de idade. Ele veio para a missa em um cavalo da família de vaqueiros do Saco do Belém. "Quero ser um grande campeão", disse o menino.

O Presidente da Associação dos Vaqueiros de Canindé José Curdulino não escondia a sua emoção com a festa. "Essa foi a missa mais emocionante da história da Vila. Me sinto um homem realizado por tudo. Cada vaqueiro presente foi com se estivesse acertado um vestibular para Medicina. Ser vaqueiro é passar no vestibular todos os dias´", finalizou o Presidente.









FOTOS E TEXTO DE ANTONIO CARLOS ALVES
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