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MISSA DO VAQUEIRO EM CARIDADE MANTEM VIVA A CULTURA POPULAR


FÉ E TRADIÇÃO NO SERTÃO DO CEARÁ.

Mantendo uma tradição de 141 anos, a Paróquia de Santo Antônio, em Caridade, reverencia até o dia 13 de junho, seu padroeiro, considerado um dos santos mais populares da Igreja Católica.


Este ano, o tema é “Santo Antônio, testemunho da misericórdia de Deus e o Lema: ‘‘Juntos celebrando o ano santo da misericórdia’’”. Para o pároco João Mascarenhas Valério, que coordena pela primeira vez os festejos alusivos ao santo, Caridade é um dos Centros de peregrinação mais importante do Ceará, pela sua expressão de fé e religiosidade de seu povo.


Para atender os fiéis e devotos que chegam à cidade para reverenciar o padroeiro, a paróquia colocou 13 padres que se revezam nas celebrações das missas, novenas, trezenas e confissões nesse período. 15 missas serão presididas na Igreja Matriz. A cada noite uma organização social fica responsável pelo leilão que tem renda revertida para as obras de caridade da Paróquia de Santo Antônio.


“A festa é um momento para reacender a fé do povo, em um momento de renovação cristã e compromisso verdadeiro que Deus faz a cada um de nós’’, explica padre João Mascarenhas”.


Para ele, o ser humano tem sede de buscar melhorias na sua vida, e isso ele encontrou no Santo, as qualidades de poder interceder a sua fé. “Eles conseguem concretizar o desejo e a necessidade de conquistar algo que muitas vezes não conseguem com as autoridades”. O devoto pode passar 10 anos em dívida com Santo Antônio, mas um dia ele vem e paga. O importante é estar perto de Deus'', diz o padre. 


Nesse período uma tradição reúne participantes de diferentes cidades dos Sertões de Canindé. Eles cumprem a tradição devoção de fé e civismo, ao mesmo tempo em que fortalecem o intercâmbio entre os participantes.



No Sertão de Caridade vaqueiro, fieis e povos começam a chegar ainda na madrugada do dia anterior e, numa luta de irmandade se vestem de gibões, perneiras, chinelos, botas e chapéus de couro. A intimidade com as montarias e as músicas típicas do sertão do Ceará mobilizou cerca de dois mil participantes na 17ª Missa do Vaqueiro, realizada no dia 04 de junho, nesta sexta. Seguindo a tradição, antes da celebração eucarística, os cavaleiros realizaram o cortejo com as bandeiras do Brasil, Ceará e das Associações representativas da categoria pelas ruas de Caridade. O evento integrou a Festa do Padroeiro, Santo Antônio, que prossegue até o dia 13 de junho.


A celebração tornou-se uma das principais manifestações da cultura popular na região. Presentes autoridades como a prefeita da cidade, Simone Tavares. O evento tem toda sua liturgia baseada na vida dos chamados "heróis de sertanejos", que assistem à celebração religiosa montados em seus cavalos.


Ao som dos chocalhos, vestidos com roupas de couro, os sertanejos seguiram em uma grande cavalgada pelas ruas de Caridade até a Fazenda Ideal, onde foi celebrada a missa.


Em cima dos cavalos, eles participaram da celebração. Rezaram e pediram paz. Agradeceram as bênçãos alcançadas a Santo Antônio. A missa foi criada por Junior Tavares, um defensor ferrenho da cultura popular. “No início eram apenas cinco amigos”. Hoje temos mais de dois mil colegas'', disse.



No rosto de cada vaqueiro é possível ver as marcas de uma vida de muito trabalho, debaixo do sol forte do sertão, motivo de orgulho para eles. Na hora do ofertório, os vaqueiros depositam no altar objetos do cotidiano e instrumentos usados no pastoreio dos animais. Antes da missa foram distribuídos aos vaqueiros, arroz, peças de alimento, como carne, bucho de boi, panelada, e, em alguns casos queijo, alimentos que fazem parte do dia a dia dos moradores da caatinga.


A missa em Caridade é realizada sempre na primeira semana de junho. Aboios e agradecimentos ao padroeiro formam as manifestações na festa. Eles costumam dizer que, quem vem à Caridade, não importa se vaqueiro ou defensor da cultura popular, carrega a certeza de que, no próximo ano, se vivo estiver, estará presente mais uma vez na manifestação cultural.


Padre Tula, o celebrante, criou toda uma liturgia para essa missa e intercala a celebração com músicas do repertório de Luiz Gonzaga e cordéis de sua autoria. Também esteve presente este ano o escritor Arievaldo Vianna, neto e bisneto de vaqueiros da região de Quixeramobim e Canindé, lançando seu mais novo trabalho, o livro SERTÃO EM DESENCANTO – GÊNESIS SERTANEJA, que retrata um pouco da história da região ao longo dos últimos 300 anos.


A fé e devoção a Santo Antônio trouxeram a Caridade, vaqueiros de municípios como Aratuba, Baturité, Apuiarés, Canindé, Mulungu, Pentecoste, Paramoti, Maranguape, Itatira, Madalena, Tejuçuoca, Santa Quitéria, Fortaleza e Serrita.


Nesta missa, a cultura sertaneja, dos valores culturais do povo e da gente do sertão. "Precisamos ganhar força na reflexão e liturgia", disse o religioso. Segundo ele, "se Jesus Cristo tivesse nascido no Nordeste não teria falado de ovelhas, mas de boi, vaca e vaqueiros". O sacerdote é considerado uma celebridade viva do cotidiano religioso da zona rural.


No final da festa, a família de Francisco de Assis, assassinado covardemente na Praça da cidade, foi homenageada pela organização da missa. Francisca Maria veio acompanhada das amigas e da família para receber a homenagem. ‘’Era um pai cheio de luta e guerreiro’’, disse a filha.


TEXTO E FOTOS DE ANTONIO CARLOS ALVES

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