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ÍNDIOS KANINDÉS: UMA RIQUEZA CULTURAL NO MEIO DO SERTÃO DO CEARÁ.

EXCLUSIVO.


Uma riqueza cultural que remonta o passado no meio do Sertão do Ceará. Essa é a parada da Reportagem do C4 NOTÍCIAS DO POVO ON LINE, para conhecer melhor a história de um povo que ajudou a formatar a origem da cidade mais religiosa do Nordeste. Os Canindés (ou Kanindé) são um povo indígena que vive nos municípios de Aratuba (Sítio Fernandes) e Canindé (Fazenda Gameleira) no Estado do Ceará. São cerca de 710 pessoas. A última visita do repórter fotográfico Antônio Carlos Alves a tribo indígena foi no dia 17 de abril de 2002. Passados 14 anos retornamos para ouvir José Maria Pereira dos Santos, o cacique Sotero, líder do grupo.

Segundo ele, os Kanindés são associados aos Janduis e aos Paiacus, compondo grupos que descenderiam dos Tarairus. O nome dos Kanindés está ligado a seu chefe histórico Canindé, mais importante na tribo dos Janduís, que comandou a resistência deste povo no Século XVII, o que forçou o rei de Portugal à assinatura de um tratado de paz em 1962, tratado este que foi posteriormente descumprido pelos portugueses. Seus descendentes ficaram desde então conhecidos como Kanindés em referência ao histórico líder e à ancestralidade.

Os Kanindés têm por tradição oral serem originários da área que compreende o atual município de Mombaça, tendo percorrido junto aos seus parentes Jenipapos-Kanindés trajeto pelas margens do RIO CURU, passando por Quixadá entre os rios Quixeramobim e Banabuiú, até chegar às suas atuais terras em Canindé e Aratuba. A história dos Kanindés é marcada desde tempos remotos por uma série de deslocamentos forçados. Entretanto, conseguiram os Kanindés manter laços de parentesco entre as duas comunidades que compõem o grupo entre o Sertão Central e a Serra do Maciço de Baturité.



Os Kanindés possuem forte cultura de caça herdada de seus antepassados. Têm conhecimento de utilização de diversas armadilhas como o quixó de geringonça, que utilizam para capturar mocós, tejos, pebas, veados, nambus, siriemas, juritis, tendo sempre o cuidado de não violar o período de gestação dos animais. O respeito à sustentabilidade é passado de geração em geração visando à manutenção da caça através dos tempos.

Em 1996, foi aberto à visitação o Museu dos Kanindé, no qual merece destaque o trabalho em madeira com instrumentos de caça. Entre o acervo, além de muitos documentos, documentação e objetos dos mais variados tipos: bichos (couros, cascos, penas etc.), artefatos (principalmente de cipó, palha, cerâmica e madeira), material arqueológico, indumentária, vegetais, minerais, fotografias, adornos, equipamentos musicais e para o trabalho na roça, moedas e medalhas etc. O Museu dos Kanindés, como é conhecido, surgiu antes mesmo da organização da Associação Indígena Kanindé de Aratuba (AIKA) em 1998, a partir da sua participação no movimento indígena cearense. A organização do museu ocorreu concomitantemente ao processo de mobilização pelo reconhecimento da identidade indígena. A maior parte do povo indígena Kanindé forma a parentela constituída por núcleos familiares extensos moradores da Aldeia Fernandes, localizada a cinco quilômetros da zona urbana do município de Aratuba, à cerca de 140 quilômetros de Fortaleza, na região do maciço de Baturité. Suas principais atividades são a caça e a agricultura de subsistência. Plantam, principalmente, feijão, fava, milho e mamona. Durante o processo inicial de mobilização étnica, grande parcela do grupo assumiu o etnônimo “Kanindé”, com o qual passaram a identificar-se coletiva e publicamente perante as comunidades vizinhas, a sociedade cearense e o movimento indígena local. Inicialmente, tiveram um grande apoio da entidade indigenista Missão Tremembé, que possibilitou que participassem de projetos e intercâmbios com outros povos do Ceará e do nordeste. Se auto-designam como um ‘povo caçador. Entre as atividades de subsistência, a caça é sempre enfatizada, ao lado da agricultura, praticada como complemento necessário para a alimentação.



Fotos e texto de Antônio Carlos Alves

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