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FALTA DE MÃO DE OBRA NO CAMPO ESVAIA OS SERTÕES DE CANINDÉ.


Se a Agricultura familiar no Município de Canindé tem conseguido contornar, aos poucos, o obstáculo da falta de regularização fundiária e de acesso ao crédito, conforme os próprios trabalhadores, o campo esbarra agora em outro problema conjuntural: o apagão de mão de obra. Embora não haja números oficiais da falta de pessoal na agropecuária canindeense, quem está na lida do dia a dia aprendeu a conviver com a perda de produção ocasionada pela ausência de trabalhadores.

Nos anos 70, a maior dificuldade no campo era absorver a mão de obra. Hoje o maior problema no campo é encontrar a mão de obra. Esse contraste é fácil de ser visto nos Sertões de Canindé. O grande problema é que existem muitos programas sociais e quem foi empregado nos anos 70, hoje é patrão.

O agricultor Luiz Gomes dos Santos, 77 anos da Comunidade de Bonitinho lembra que nessa época a maior dificuldade é se comprar um quilo de arroz e hoje, todo mundo come arroz. ‘’Um dia de serviço custa R$ 40,00 e muitos querem R4 30,00 até o meio dia’’, disse a Reportagem do C4 NOTÍCIAS DO POVO ON LINE.

Antônio de Sousa Santos, 65 anos, conhecido como Antônio Rosalino diz que a dificuldade para encontrar um trabalhador para um dia de serviço é muito grande. ‘’Pago R$ 40,00 e ninguém quer ir trabalhar’’, narra o sertanejo que mora na localidade de Vaca Brava.

Baseado na arrecadação do Imposto Sindical Rural é R$ 40,00, um dia de serviço na agricultura. Os sindicalistas admitem essa realidade. Francisco Antônio Pereira de 70 anos reclama que na comunidade de Oiticica na Vazante do Curu, não existe mais quem queira prestar um dia de serviço no campo. Já Manoel Alves Clementino de 81 anos, afirma que oferece trabalho a R$ 40,00 na localidade de Armador na região de Targinos. Tudo por sua conta e ninguém vai trabalhar braçal. ‘’As coisas mudaram e quem quiser se manter no campo terá que trabalhar sozinho’’,

A proximidade de um grande centro urbano, como Fortaleza, também contribui para a disputa de trabalhadores entre a cidade e o campo. Boa parte dos núcleos Rurais dos Sertões de Canindé localizados a menos de 200 da capital. Dessa forma, o trabalhador rural pode optar por emprego no campo ou na cidade.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 6.616 pessoas trabalham com carteira assinada na mão de obra da construção civil em Canindé e Fortaleza. O campo para eles é coisa do passado. Outro gargalo são os jovens que deixam o sertão sem nenhuma perspectiva de melhorar de vida e partem com o sonho de ganhar dinheiro na cidade grande.


Contratar trabalhadores para serviços rurais tem se tornado mais difícil na região. Falta mão de obra no campo e quem mora na cidade prefere outros tipos de trabalho. A busca por profissionais, no entanto, tem se dado dessa forma - o inverso do êxodo rural, que aconteceu no País principalmente nas décadas de 60 e 70.

Os salários dos trabalhadores rurais tiveram aumento nos últimos meses, mas ainda não são atrativos para suprir a escassez. Na região, o problema é mais evidente em municípios de vocação agrícola e pecuária, como Canindé, Itatira e Caridade. 

Os valores dos salários rurais ainda ficam abaixo da média de setores como serviços, comércio e construção civil. A falta de infraestrutura e opções de lazer, distância da família e dificuldade de transporte, de acesso à comunicação e às tecnologias do meio urbano são os principais motivos da falta de interesse em trabalhar no campo. O problema é maior quando se trata de trabalhadores jovens. 

Em tempo: Todos os depoimentos foram colhidos na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canindé, situado na Avenida Francisco Cordeiro Campos no Bairro do Monte.







Fotos e texto de Antônio Carlos Alves

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