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CORTADORES DE CANA DE AÇÚCAR DO CEARÁ SÃO ENCONTRADOS EM CONDIÇÕES ESCRAVAS EM SÃO PAULO.



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Auditores da Subdelegacia Regional do Trabalho em Bauru encontraram nesta terça-feira, dia 31 de maio cerca de 430 cortadores de cana trabalhando em condições subumanas e passando fome. De acordo com a reportagem da Agência Brasil, os trabalhadores estavam em canaviais de Lençóis Paulista e Pederneiras, em São Paulo. 

Segundo a Assessoria de Imprensa do Ministério do Trabalho, no Município de Pederneiras, 30 lavradores, agenciados na Bahia, trabalhavam para a BR Prestadora de Serviço, que forneceria mão-de-obra para a Usina São José, pertencente ao Grupo Zillo Lorenzetti, segundo denúncia da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo. 

Os lavradores foram encontrados em pequenos cômodos, em condições precárias de higiene, dormindo em colchonetes no chão, sem armários e recebendo pagamentos abaixo do salário mínimo. 
Os outros 400 cortadores de cana encontrados na Fazenda Velha, da usina Barra Grande, que pertence ao Grupo Zillo Lorenzetti, em Lençóis Paulista, trabalhavam dez horas por dia e exerciam a atividade em total desacordo com a Norma Reguladora 31 (NR 31), que trata especificamente da garantia dos direitos básicos dos trabalhadores rurais. 

Eles são dos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe. Os fiscais exigiram o envio ainda ontem de dez cestas básicas aos alojamentos, com 22 quilos de alimentos cada, para serem divididas entre os lavradores. Para os cortadores de cana, o ministério exigiu o pagamento das verbas rescisórias e da passagem de volta a suas cidades de origem.



A Reportagem do C4 NOTÍCIAS DO POVO ON LINE, conseguiu descobrir que a maioria dos cearenses, é oriunda dos Municípios de Canindé, Itatira, Madalena, Boa Viagem, Monsenhor Tabosa, Catunda, Pires Ferreira e Hidrolândia. Eles deixam as suas terras de origem no período de fevereiro e só retornam quando estiver próximo do Natal. Grande parte vem do Município de Itatira.


Muitos moradores dos Sertões de Canindé deixam o Município para trabalhar no corte de cana devido à falta de emprego na Região. O trabalho de colheita manual da cana-de-açúcar é, certamente, uma das atividades laborais mais árduas do meio rural. Em tal expediente de produção, cada trabalhador é responsável por um conjunto de linhas paralelas de cana plantadas conhecidas como “eito”, formadoras do talhão do produto que pode ser transformado em álcool para veículos automotores, consumo humano e fabricação de rapadura e mel. Nesse conjunto de linhas o trabalhador atua cortando as touceiras e avançando para dentro do talhão. 

O trabalho consiste em abraçar certo número de canas de forma a separadas das demais e golpear, rente ao solo, a base deste conjunto com um facão afiado denominado podão. Em seguida, cortam-se as pontas e carrega-se este material para a linha central do "eito", dispondo-as em montes como forma de facilitar a operação das máquinas carregadeiras. 

Um trabalhador que corte 12 toneladas em um dia, caminha, nesse período árduo de trabalho, 8.800 metros, despende 133.332 golpes de podão e carregam as 12 toneladas de cana em montes de 15 kg. Para isso, tal trabalhador realiza 800 trajetos e 800 flexões, levando 15 kg nos braços por uma distância de 1,5 a 3 metros. Faz, também, aproximadamente 36.630 flexões e entorses torácicos para golpear a cana e perde, em média, 8 litros de água por dia. Em virtude dessa exigência física intensa, o trabalho canavieiro gera uma série de limitações e debilitações na saúde dos trabalhadores rurais. A pesada carga laboral dos cortadores de cana tem entre suas motivações a postura física exigida para o corte, o uso de ferramentas perigosas, a realização de atividades repetitivas e desgastantes e o transporte de material excessivamente pesado. Tais gravames são, ainda, reforçados por condições ambientais danosas como exposição prolongada ao sol e intempéries, descargas atmosféricas e poluição do ar.


A dona de casa Maria dos Prazeres de 34 anos, que Mora no Distrito de Lagoa do Mato, em Itatira, confirma a informação e disse que seu marido deixou a cidade de origem no dia 23 de fevereiro em um ônibus fretado por um senhor identificado apenas por Germano que levou mais 45 pessoas para a cidade de Pederneiras no interior da capital paulista.


Segundo ela, essa é a terceira vez que seu esposo deixa o solo Itatirense em busca de trabalho, porque na região não existe opção de sobrevivência, só muita fome e sede.



Com Informações da Agência Brasil e apoio de Antônio Carlos Alves.

Fotos de Vera Grass – AGÊNCIA BRASIL.

Um comentário:

  1. E muito triste saber que a escravidão predomina ainda em muitos lugares neste Brasil

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