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TEJUÇUOCA: UNESCO VAI AVALIAR ESTUDOS SOBRE FURNA DOS OSSOS.

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Pesquisadores já cadastraram 86 cavernas no Estado. A Furna dos Ossos faz parte da lista a partir da Base de Dados Geoespacializados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV). 


Localizada no semiárido do Sertão do Ceará, em uma área de 1.400 hectares que compreende a Serra da Catarina e a Serra do Macaco, o Parque Furna dos Ossos, uma área de assentados, no Município de Tejuçuoca, destaque-se pelos seus atrativos naturais. O local dispõe de grutas impregnadas de história e misticismo, animais silvestres, formações rochosas. O bioma caatinga preservado motiva a imaginação dos visitantes.

O que antes era privilégio de Quixadá, que ficou conhecido por abrigar a Pedra da Galinha Choca, agora é orgulho também de Tejuçuoca. O mais interessante é que a pedra que se assemelha a uma galinha "conversa" com a pedra que lembra o bode, figura respeitada na região, onde é considerado rei. A imagem pode ser vista logo na entrada do parque que poderá se tornar Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade, um reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Para isso, Elizeu Joca, uma espécie de "sabe tudo" do lugar, com o apoio do prefeito de Tejuçuoca, Walmar Bernardo, desenvolve um projeto para mostrar a importância da Furna dos Ossos para a humanidade. Outras belas imagens podem ser vistas no local: a gruta da borboleta, a pedra do jacaré, a gruta do sino, a cabeça do índio, entre outras belezas.

Na visita feita recentemente por técnicos, os estudiosos fizeram uma viagem no tempo e a cada parada eram feitas anotações, coletas e fotografias, para elaborar o documento que dará início ao processo de tornar a Furna dos Ossos em um espaço de proteção ambiental, natural e cultural.

Rica em fauna e flora, a história remonta momentos memoráveis sobre a localidade. Dizem que, no começo do século, existia pela área de Irauçuba um coronel chamado Pedro Barroso Valente. Quando o homem queria dar fim em um jagunço ou inimigo, a pedido de amigos, enviava essa pessoa para a Serra da Catarina, com um bilhete no bolso ordenando sua morte. Como os jagunços não sabiam ler pensavam que se tratava de uma carta de recomendação para trabalhar. Após o assassinato, o corpo era enterrado entre as grutas, daí surgiu o nome de Furna dos Ossos.

Lenda ou não, o certo é que a Serra da Catarina, a 13 quilômetros da sede de Tejuçuoca, virou atração para estudiosos, arqueólogos, universitários, turistas, historiadores e também local de romarias. Os primeiros a pisarem na região foram os índios Tupinambás e, por último, os cangaceiros que faziam do lugar um refúgio contra a perseguição da polícia.

Pedras em forma de bicho


"Parece que a natureza escolheu o calcário e a região de Tejuçuoca para realizar belas esculturas. Lá, as rochas adquirem formas de bode, galinha, touro, pegadas de onça e até mesmo um perfeito rosto de um índio com mais de 20 metros de altura", observa Elizeu Joca.

Tejuçuoca abriga um dos mais fascinantes conjuntos geológicos do País. O nome vem da combinação de Tejuçu, um réptil típico da região, e de Oca, determinação indígena para casa, sendo Casa do Tejuçu.

A região é conhecida como Furna dos Ossos, pois dezenas de ossadas humanas eram depositadas ali desde o começo do século 20. São os restos mortais de criminosos, cangaceiros e desafetos políticos que foram executados e deixados insepultos nas cavernas. Aos poucos, a população local começou a dar um destino cristão aos ossos e, na medida em que eram enterrados, erguiam-se pequenos altares que hoje são motivos de peregrinação religiosa, onde está situado o Santuário de Nossa Senhora das Graças.


Local de descanso

O lugar torna-se ideal para o descanso físico e espiritual. No altar rústico repousa a imagem de Nossa Senhora Aparecida, também venerada pelos visitantes. A paisagem cativa o ecoturista e convida-o a desbravá-la. Grutas como a do Veado Campeiro, do Sino, da Mesa, dos Ossos, do Jardim, do Macaco, do Amor, do Chico Lopes, o Mirante Arco de Deus, o Túnel do Amor e o Platô das Acauãs formam esse conjunto de obras criadas pela natureza. Estalactites e estalagmites seculares redesenham na mente de quem visita o local animal e objetos petrificados.

O clima quente lá de fora cede lugar ao friozinho das pedras. O sol penetra por pequenas fendas e ilumina o ambiente. Raízes cobrem as pedras nas furnas, permitindo escaladas aos mais aventureiros. O Parque Furna dos Ossos é, sem dúvida, uma viagem no tempo. Quem não conhece precisa tirar um tempinho para ver de perto tudo que foi narrado.

"Desde que a comunidade passou a reconhecer a Serra da Catarina como ponto de atração turística, como a Furna dos Ossos e outras particularidades, muita coisa mudou no pensamento comunitário", assegura Elizeu Joca. 

Para o estudioso das rochas neste Município, Elizeu Joca, a luta é para tornar a Furna dos Ossos em patrimônio histórico natural e cultural da humanidade e templo de orações. 
Além disso, existe um projeto para construir o mirante do labirinto situado no topo do serrote, que permitirá uma visão panorâmica do local. 

Além de se contemplar a natureza, no Platô das Acauãs, lá também é possível utilizar o serviço de telefonia celular. 

Do local, pode-se manter contato com amigos em Canindé, Fortaleza e Santa Quitéria. "É belo observar a cidade do alto e poder sentir o quanto compensa enfrentar sol e calor até o ponto mais alto da Furna dos Ossos", observa o estudioso. 


O prefeito de Tejuçuoca, Valmar Bernardo disse que vai aprofundar os entendimentos com os assentados de Macacos e pedir apoio do Governo do Estado para tornar a região patrimônio histórico natural e cultural. 

"Vamos buscar mecanismos para tornarmos essa riqueza natural um patrimônio da humanidade, porque entendemos ser uma maneira de mantermos preservada toda essa beleza que a natureza nos deu de presente", concluiu. 

Para José Renato Santos Pinto, guia turístico da Prefeitura, entrar na Furna dos Ossos remete à ancestralidade. 

"A formação de pedras, a mata, a paisagem nos aproxima ao modo de vida dos nossos ancestrais. Pisamos o mesmo chão onde viveram nossos parentes há 10 milhões de anos. A oportunidade de conectar com nosso passado remoto é uma forma concreta de reconectar com o real sentido da natureza. Como reencontrar a nossa relação primordial com a natureza sem passar pela nossa ancestralidade?", indaga. 

De acordo com ele, "quando adentramos em um ambiente natural onde não percebemos rastros humanos, a calma, a harmonia e o equilíbrio nos transmitem a um profundo sentimento de paz. Porque será isso?". 

Para ele, talvez tenha a ver com aquele sentimento de conexão ancestral adormecido. "A visita nos proporcionou um grande aprendizado. Resta-nos agora tratar a Mãe Natureza com o respeito e a dignidade que ela merece", ressalta Castro. 










FOTOS E TEXTO DE ANTONIO CARLOS ALVES

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