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APICULTURA: SECA NO SERTÃO PREJUDICA PRODUÇÃO DE MEL NO MUNICÍPIO DE ITATIRA.


EXCLUSIVO.

ABELHAS FUGIRAM PARA NÃO MORRER DE FOME.


A escassez de água impediu a floração no semiárido e comprometeu a safra.

A caatinga ainda estar verde, mas a seca neste município não destruiu apenas as plantações. Acabou também com a produção de mel de abelha, principal produto de exportação da região. Sem chuva, as abelhas abandonaram as colmeias e migraram para outras regiões.

Sem abelhas nas colmeias, apicultores amargam prejuízo. No monitoramento do cultivo, nem precisam usar tanta proteção, já que não tem abelha. Esta é a maior seca dos últimos 40 anos no Ceará. Está gerando impacto negativo na produção de mel, que deve cair em torno de 80% este ano, segundo produtores dos Sertões de Canindé.


O Estado é o terceiro maior produtor do Brasil e o primeiro do Nordeste, perdendo apenas para os estados do Rio Grande do Sul e São Paulo.


“A falta de água comprometeu a produção e, em 87% dos enxames, as abelhas sumiram, porque foram para outras regiões. Isto provocou prejuízos para cerca de 70 apicultores do município, neste ano", explica um dos maiores produtores em Itatira, João Batista de Sousa, o SIDOCA. No município, 74% dos agricultores vivem da produção de mel. Segundo ele, a quebra da safra se dá pela falta de alimentação das abelhas. "Por não ter tido floração, as nossas abelhas não têm como retirar o pólen e o néctar das plantas. A temperatura exigida no cultivo de abelhas é, em média, 33 graus, mas, no momento, nossa temperatura atinge cerca de 40 graus. Sem floração, elas migram para áreas mais frescas", diz. Para ele, a solução seria a alimentação artificial, mas se torna muito cara e nem todos os criadores têm condições de bancar. Essa alimentação artificial se dá pela soma de dois tipos de alimentos, um energético, que pode ser manga, caju, caldo de cana ou água com açúcar, e um alimento protético, que é a mistura de grãos de soja e milho triturados. "É a maneira que temos para driblar a ação da seca", o lamenta, por ser uma medida inviável para os pequenos apicultores da região.


Transferência


De acordo com ele, considerado um "mestre" em apicultura e um dos integrantes da Associação dos Apicultores de Itatira, a região produz, em média, 90 toneladas de mel por ano, mas, com a estiagem, “tudo foi por água abaixo”. Teremos uma safra de 20 toneladas’’. ‘’Perdi muitas colmeias que foram embora por falta de alimentação. As que restaram tive que mandar para um amigo na comunidade de Sabonete, que fica bem próxima do Açude UMARI, no município de Madalena’’, diz, sem saber o que vai render de positivo nos apiários do município. O prejuízo chega perto de R$ 8 mil com a migração das abelhas, que fugiram para não morrer de fome. ‘’É a dura realidade de quem vive dessa atividade. Quando o período é bom, tudo é rentável, mas, com a seca, tudo fica pelo meio do caminho e o prejuízo é incalculável’’, aponta o produtor SIDOCA.

Segundo o apicultor, os três próximos meses podem ser mais desgastantes, já que a alimentação artificial está 40% mais cara, se comparado ao mesmo período do ano passado. Nenhum produtor quer arriscar em adotar este tipo de procedimento, porque será muito trabalho para pouco dinheiro. "A seca afetou quase todos os setores e a próxima safra também está ameaçada", avisou.


"Neste ano, nenhum apicultor se preocupou em fazer a colheita do mel porque, além de fraca, é muito arriscado ao ataque das abelhas que estão famintas e violentas", finalizou.


A realidade observada nos Sertões de Canindé é comum a outras regiões produtoras no Estado do Ceará. A apicultura está presente em 150 municípios. As regiões com o maior número de produção são: Baixo Jaguaribe, Cariri, Sertão Central e Sertão dos Inhamuns. A apicultura no Estado do Ceará caracteriza-se, quase que exclusivamente, pela produção de mel de abelhas oriundas da África. Em uma colmeia, há mais de 80 mil abelhas, que produzem, por safra, de 25 a 35 quilos de mel. Um pequeno produtor possui, em média, 35 colmeias. A abelha só tem 24 horas de vida se atacar sua vítima. Caso contrário, vive cerca de 50 dias. A abelha rainha, em época de boa florada, chega a produzir três mil ovos diários.


Exportação.


Para o vereador Paulo Ruberto Mota, que defende o processo da agricultura familiar em Itatira com o conteúdo do mel, o Ceará está entre os cinco maiores exportadores do Brasil. Em 2011, o Estado exportou 4,2 toneladas de mel. Entre dezembro de 2010 a janeiro de 2011, as vendas do produto para o exterior cresceram 31,4%. O preço do mel está custando, em média, R$ 12 por quilo. Em épocas chuvosas, esse valor cai para R$ 7 por quilo. O mel cearense é orgânico, pois é retirado da caatinga e não possui contato com florações com agrotóxicos, diferente do mel da região Sul’’, explica.


No Ceará existem em média, 400 associações de apicultores e seis cooperativas. O consumo per capita do brasileiro é de 150 gramas de mel por ano. Na China, esse volume sobe para 2 kg. O Presidente da Associação dos Apicultores de Itatira – APIC Antônio Armando da Silva, disse que o esperado para este ano, era 80 toneladas de mel, mas deverá ficar mesmo em 20 toneladas. ‘’Nas 3.200 colmeias espalhadas na região não teremos mais que essa produção’’, lamente o apicultor.


O quilo do mel para merenda escolar custa R$ 17,00. Já o litro custa R$ 25,00. Hoje a região opera com três Casas de Mel, uma doada pela Prefeitura no Assentamento Nova Olinda, outra no Assentamento Santa Terezinha numa parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a terceira adquirida pela Prefeitura/MDA.


Fotos e texto de Antônio Carlos Alves

Um comentário:

  1. boa noite fico muito triste por saber sobre a seca na região ,pois sou um consumidor do mel de itatira e defendo a qualidade do mel como o melhor mel do mundo pois alem de tomar cafè todos os dias com o mel ainda mando para os estados unidos para o alimento de minha filha e parentes que estão la DEUS ABENCOE TODO POVO DE ITATIRA guilhermehoekveld@gmail.com

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