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OS SOBREVIVENTES DA ESPERANÇA


Passados oito anos do estrago e arrombamento do açude Esperança.  Justamente esse nome, que o sertanejo tanto preza nos dias de reconstrução, a obra será iniciada. Na entrada para o Distrito, duas placas fixadas anunciam a distância para a comunidade – 9 km e outra a recuperação do açude que foi destruído em 2009 pela força das águas do inverno daquele ano.

A Construtora Silveira Salles Ltda. tem R$ 713.643,07 para entregar os serviços em um prazo de 180 dias, e, que irá atender a 28 famílias de Assentados.

Os recursos destinados vêm dos cofres do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – (INCRA) em parceria com a Prefeitura Municipal de Canindé.

A capacidade do açude Cacimba de Dentro é de 2.811.903,23 metros cúbicos e tem uma extensão de 634 metros de parede com 11,83 de altura máxima.


ENTENDA O CASO.

Era 25 de abril de 2009, um dia normal para os moradores do Distrito de Esperança. Mas as chuvas que não deram trégua naquele dia e vararam a madrugada deixando um rastro de destruição que até hoje permanece vivo na memória de quem presenciou o ocorrido.

A água fez força, arrebentou o paredão de areia e desceu acabando com tudo.  Por muita sorte, ou, segundo os moradores pela mão abençoada do padroeiro São Francisco, ninguém morreu.  E também pela presteza e agilidade do agricultor Francisco Antônio Pereira, o Toinho, 46 anos um dos que botou o pé na estrada para avisar ao povo da localidade Caiçarinha, a dois quilômetros, que a água estava passando por cima da parede do açude e que iria estourar a qualquer momento.  Menos de meia hora depois, o fato foi consumado.

Cerca de cinco milhões de m³ de água, cinco bilhões de litros.  A chuva fez o reservatório derramar por uns dias, até destruí-lo.  Passados oito anos, ainda está tudo do mesmo jeito.  Mais de 600 metros de parede partida.  Cena de guerra dos tempos de inverno e enchentes rigorosas. A devastação do Esperança, o maior deles em problema, atingiu terras de Canindé a Choró.  Deixou dentro d´água plantios de milho e feijão, derrubou casas, trincou paredes e alicerces de outras várias.  No caminho, uma oiticica centenária continua emborcada, de raiz para o alto, desde a passagem da água.

O desastre do Esperança aconteceu no dia 25 de abril de 2009.  Depois de duas chuvas de grande intensidade. Uma de 105 mm (dia 21) e 185 mm (dia 24). As precipitações foram anotadas por seu Francisco de Queiroz Castilho, 89, que é responsável por medir as chuvas para a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). 

Na comunidade é conhecido por seu Jovem.  Mora na Esperança desde 1958.  Acompanhou a construção do açude, entre 1961 e 1963, pelo fazendeiro da área, Pedro Alves Mesquita, já falecido, com ajuda do Governo do Estado.  O lugar foi desapropriado e há quase 25 anos é o assentamento Cacimba de Dentro.

‘’Era para ser maior, mas por falta de recursos, ficou no tamanho que estar. O Pedro Mesquita vendeu até um caminhão para terminar a obra’’, contou seu Jovem a Reportagem do C4 Notícias do Povo ON LINE.

Seu Francisco Pereira dos Santos, hoje com 63, disse que já havia ido dormir com mau pressentimento.  A chuva não cessava desde cedo e intuição de gente do campo tem pé e cabeça.  O agricultor estava certo.  Por volta de 1h30min, veio o “estrondo medonho” no meio da escuridão.  Ele e a esposa, dona Maria Helena Pereira, 64, que não gosta de lembrar-se do ocorrido levantaram assustados.  Pegaram as duas filhas e correram para fora da casa.  Era a braveza das águas que estava destruindo tudo. Até o reservatório.

A casa deles fica a menos de 100 metros da barragem.  É a mais próxima entre todos os moradores de Esperança.  Fica em cima de um alto, por sorte, manteve-se intacta.  Mesmo assim, a água “bateu na porta”, conta dona Helena.  A plantação, de três hectares de milho e feijão, foi toda embora.  “Eu estava vendo a nossa casinha desmoronar.  Se fosse mais embaixo, não sobraria nada.  Foi horrível”.

Quando saíram de casa, o filho Toinho, que mora em frente, já estava no portão.  Sem camisa e descalço, apenas de calção, partiu em alta velocidade. Parecia mais um (USAIN BOLT) em direção a Caiçarinha, que já se encontra em terras pertences ao Município de Choró.  Correu os dois quilômetros que separam os distritos em cinco minutos, conta. 

‘’Eu precisava avisar os moradores, pois o local seria o primeiro alvo das águas’’.  Conseguiu.

Se não fosse o herói Toinho, a cabeçada de água (como dizem os mais velhos no Sertão) teria matado dona Maria Luiza de Araújo, agora com 92 anos, e os três filhos e três netos que dormiam na casa.  “Eu fiquei angustiada e com muito medo’’, disse com olhos cheios de lágrimas ao narrar à cena de terror. Segundo ela, só deu tempo de correr para cima e esperar.  Foi Deus e São Francisco quem mandou esse rapaz ao nosso encontro”, ainda agradece dona Luiza. Na sua conversa ela lembra que em menos de meia hora, a água chegou destruindo a moradia da família. ‘’Perdi tudo: guarda-roupa, televisão, fogão, as galinhas, os porcos, minha geladeira. Tudo foi levado pela enchente.

Antes das cinco da manhã, a filha de dona Luiza, Antônia Lúcia, 59, conta que a casa já havia desabado por completo.  “Foi triste ver nosso cantinho se desmanchando”, diz ela.  A mãe, que mora no distrito há mais de 62 anos, havia construído a casa em 2008.  “Não foi sorte, não.  É São Francisco que não deixa que nenhum mal aconteça com o povo dele”, endossa seu Jovem.

Para ele, o que facilitou o rompimento da barragem foi a cerca de arame farpado que foi colocada no sangradouro com cinco fios. ‘’Isso fez com que a sujeira ficasse presa no arame e não tinha para onde sair e a água lavou a parede e causou o estrago’’, disse.

REGIÃO

O arrombamento do açude de Cacimba de Dentro, no distrito de Esperança, em 2009, além de prejudicar sensivelmente a população da localidade, trouxe prejuízos também a comunidades da região que recebiam água do reservatório através do carro-pipa. O estouro da represa acarretou prejuízos também aos pescadores que rotineiramente retiravam das águas do açude o pescado para seu próprio alimento.

O anúncio da reconstrução está trazendo ânimo não só para os moradores de Esperança, como para pessoas de outras localidades, como é o caso de José Moreira da Silva, que mora em Cametá e sempre pescou na barragem.

Fotos e Texto de Antônio Carlos Alves
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