08 março 2016

COMUNIDADE DE CANINDÉ APOSENTA JUMENTO E CARRO PIPA.


Uma comunidade no Sertão do Ceará, onde chove apenas 756 milímetros ano, com uma quadra invernosa normal e evaporação acima de dois mil milímetros, aposentou de vez o jumento e o carro pipa.

A construção de um açude inteligente na Comunidade de Barro do Bento distante 23 quilômetros da sede do município de Canindé, foi o ponto chave que mudou a vida da Comunidade.

O êxito da iniciativa virou exemplo no Sertão. Ao contrário do que ocorre em outros locais onde em período de seca, a saída é pedir socorro ao famigerado carro pipa, que em muita das vezes demora dias e quando chega à água não dar para atender a demanda, e, ainda por cima de procedência duvidosa.

Para as 35 famílias de Barra do Bento a passagem dos carros-pipa virou coisa do passado, graças à intervenção da Ematerce.

Sem a garantia de água potável todos os dias, a rotina dos assentados e das comunidades rurais da região era marcada por incertezas e pela presença frequente de carros-pipa e filas de crianças com diarreia na Unidade Básica de Saúde do Distrito de Ipu Monte Alegre.

A mudança de uma situação de insegurança hídrica para a abundância de água veio no início de 2009, quando foi construído o primeiro ‘’açude inteligente’’ do Nordeste pela Empresa de Assistência Técnica do Ceará – EMATERCE.


‘’Açude inteligente é construído em área de Boqueirão, porque assim o sol acorda tarde e dorme cedo, evitando a evaporação, um dos maiores problemas hoje no Nordeste’’, explica José Maria Pimenta ex-presidente da Ematerce, idealizador do projeto no Estado do Ceará.

‘’O carro-chefe do programa é a água para beber’’. “Antes, a gente tinha que esperar carro-pipa ou bebia a água do rio, que é salobra”, conta a Presidente da Associação Comunitária dos Moradores de Barra do Bento.


Para ela, a mudança na qualidade de vida das famílias pode ser vista a olho nu. ‘’Agora ninguém fica na fila da humilhação a espera de água para matar a sede humana e nem tão pouco animal’’, observa Raimunda de Sousa.

Além da água filtrada pelo sistema de abastecimento implantado pelo Projeto São José, os moradores contam ainda com opções para plantios alternativos conhecidos como Quintais Produtivos, utilizando a água do reservatório que tem capacidade para 2,5 milhões de metros cúbicos. Os moradores explicam que compartilham a água com famílias de outras comunidades, principalmente quando a terra está mais seca e a estiagem do Sertão nordestino se assevera.

José Martins Ribeiro, conhecido na localidade por Edmilson diz que antes tinha que ir pegar água numa distância de um quilômetro serra acima e muita das vezes o jumento tinha dificuldade de subir, agora comemora: ‘’Jumento e carro pipa aqui nunca mais’’.

Foram investidos R$ 70 mil na construção do reservatório, e mais R$ 81.470,93 no abastecimento de água nas torneiras. De acordo com Raimundo Rodrigues de Sousa que cria bode, galinha, porco, ovelhas e plantas verduras e banana, o açude tem 12 metros de profundidade, sendo 200 metros de extensão de parede.

‘’A obra começou no dia 23 de setembro de 2007 e foi concluído no dia 26 de outubro de 2008. Ele sangrou pela primeira vez no dia 26 de março, um ano depois com uma lâmina de 82 centímetros’’, narra Raimundo.


Segundo ele, o açude irá ganhar mais três metros de parede. Assim ficará com 15 metros de altura, aumentando também a capacidade hídrica.

Pelo que consta quem primeiro começou a medir chuvas no mundo foram os russos, há mais de 140 anos. Mas há no Ceará uma informação preciosa: somos o Estado que tem registrado a maior série histórica de precipitações pluviométrica do Nordeste. As primeiras medições vêm do antigo Observatório Meteorológico de Quixeramobim, 
inaugurado em 1896. 

De lá para cá são 118 anos de informações sobre chuvas, sendo as mais importantes, justamente, a divisão tripartite entre invernos chuvosos (1939), invernos na média (1939) e anos secos (1940).

De acordo com critérios da FUNCEME, quando se registra até 594 mm, o ano é seco. De 594,1 até 826 mm, o inverno está na média. Acima deste patamar, a temporada é considerada chuvosa para a região do Sertão Central. Outro dado importante é que, nestes 118 anos de registros, apenas em quatro anos tivemos chuvas abaixo de 300 milímetros. Precisamente os anos de 1915, 1919, 1983 e 1993.

Diante destes números, qual a melhor intervenção para se conviver com a seca? Ouso dizer que é a construção de açudes inteligentes. Reservatórios que enchem ligeiro e secam devagar. Aqueles localizados nos “sovacos” das serras, morros e nos boqueirões apertados, que são chamados pelo sertanejo de “açudes potes”. São barragens pequenas e médias capazes de sangrar com inverno a partir de 200 milímetros.

No Ceará existem milhares de localidades que poderiam ser contempladas com a construção dos açudes inteligentes. Além de matar a sede do homem e de animais, também serviria para produzir alimentos por meio da irrigação moderna.

A Ematerce vem testando essa tecnologia em alguns municípios do Sertão Central. São 45 açudes em municípios como Canindé, Madalena, Quixeramobim e Piquet Carneiro. 
A grande ainda tem água.







Fotos e texto: Antônio Carlos Alves.

0 comentários:

Postar um comentário

Pedimos aos usuários que logo abaixo da caixa de comentários ao invés de anonimo, coloquem nome/url e coloquem a identificação a fim de comprovar seus cometários, é muito importante que vcs se identifiquem assim suas opiniões serão mais aceitas. Aos que persistirem no anonimato será feita a devida moderação nas palavras e afirmações comentadas.

Não utilizem palavras ou frases que ataquem ou agridam a outrem direta ou indiretamente, o portal C4 Notícias modera os comentários mas não se responsabiliza pelas opiniões deixadas por seus leitores.

att
Equipe C4 Notícias

Copyright © C4 - Notícias de Canindé | Designed With By Blogger Templates
Scroll To Top