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AGRICULTORES DOS SERTÕES DE CANINDÉ JÁ SENTEM PREJUÍZOS COM A ESTIAGEM.


O Sertanejo acima é um forte. A frase de Euclides da Cunha no livro os Sertões, escrita no fim do século XIX pode ser retratada na vida do sertanejo nos Sertões de Canindé, que mesmo sem chuvas continua na esperança de que as coisas ainda poderão mudar.

O homem do campo renovou suas esperanças com as chuvas de janeiro, mais de fevereiro até março perde a esperança de uma boa safra em 2016.

Contabilizando até agora quase 40 dias sem chover, pequenos agricultores do município de Canindé já começam a dar mostras de preocupação com mais uma ameaça de perdas na lavoura. Plantios de culturas tradicionais, como o milho e o feijão, amargam não só a falta de água como o ataque violento de pragas, notadamente de lagartas.

A estiagem ocorre justamente no momento crítico para o desenvolvimento de algumas plantas, como é o caso do feijoeiro em seu estágio de floração.

Na localidade de Morada Nova, distrito de Iguaçu, o agricultor Júlio Paulino Gomes afirma que fez seu plantio de feijão aproveitando as boas chuvas que caíram em janeiro. O trecho de terra plantado, cerca de dois hectares, mostra os pés de feijão crescidos esperando por água. “Todo dia eu faço limpa de mato e ‘chego’ terra no legume”, explica Júlio, enquanto bate a enxada no chão seco levantando poeira.

O pior, segundo ele, tem sido a invasão de pragas. “Já pulverizei minha roça três vezes, mesmo assim a lagarta não para de chegar”, diz o lavrador.

Perto dele, os pés de feijão exibem as folhas devoradas pela lagarta.

Olhando para o céu sem nuvens, Júlio não vê promessa de chuva para as próximas horas e lamenta que, se não chover a tempo, seu plantio não resiste. Consorciado com o feijão, o plantio de milho com sementes distribuídas pelo governo ainda é muito incipiente. “O milho é que precisa mesmo de água para crescer”, comenta.

Já na comunidade de Bom Jesus, também no distrito de Iguaçu, nem mesmo as plantações nos baixios às margens do rio Cangati estão prosperando. O agricultor Luciano Alves, por exemplo, ainda não desistiu de aradar sua roça devido a terra estar muito seca. “Acho que com mais uma semana de sol, a plantação de feijão e milho será quase toda perdida”, observa, mostrando os pés de feijão com tamanho bem abaixo do normal. “Não tem planta que escape com muito sol”, comenta Luciano, apontando ao redor para as folhas tostadas do marmeleiro.

A mesma realidade afeta plantações em todo o interior do município de Canindé. O quadro atual é desanimador e começa a apontar para prejuízo generalizado na agricultura familiar, caso não chova ainda este mês.

Mesmo com a volta das chuvas, o cultivo de milho e feijão, segundo agricultores, necessitaria de replantio em muitos casos.

FOTOS E TEXTO DE ANTONIO CARLOS ALVES
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