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ÁGUA VIROU PRODUTO DE LUXO NO SERTÃO DO CEARÁ.


EM CANINDÉ FICHA DE SINUCA VALE R$ 0,50 E 20 LITROS DE ÁGUA.


O lugar tem o nome de Santo, Assentamento São Francisco, mas a água que chega vem da terra. Na zona rural de Canindé, agreste do Ceará, a 126 quilômetros de Fortaleza, foi implantado o programa Água Doce, onde um sistema de dessalinização é alimentado por um poço artesiano e resolve o problema de abastecimento humano sem burocracias.

Cada litro de água processada rende meio litro de água potável. A agricultora Tereza Maria Barbosa, Presidente do Assentamento, é quem comanda o sistema e conta que é o suficiente para abastecer a comunidade sem problema e outros locais da região todos os dias.

Agora a água vem com qualidade e o que mais importante a todo o momento, e perto de casa, situação bem diferente da enfrentada durante décadas nos períodos de seca. Para isso, basta adquirir uma ficha (antiga de sinuca), por R$ 0,50, para ter direito a 20 litros do produto, na hora que precisar.

Da água que sobra do processo de dessalinização, nenhuma gota se perde. Ela vai para tanques, onde os agricultores aproveitam para outros afazeres, como saciar a sede dos animais.

No Semiárido brasileiro, local de água escassa e salobra, com solo formado por rochas de cristalino, cuja regidez muitas vezes impede a perfuração de poços para retirada do mineral e favorece a desertificação do solo, a nova fórmula agradou.

Devido à escassez que se faz sentir de água potável tentou-se transformar a água salgada em água para consumo humano, removendo-lhe os sais que estão em excesso relativamente à água potável e adicionando-lhe os que estão em falta – a este processo chama-se dessalinização da água salgada.

Há duas maneiras de praticar a dessalinização: através da destilação ou através da osmose inversa.

Na destilação a água é submetida a elevadas temperaturas de modo a evaporar-se e seguidamente encaminhada por um sistema especial de tubos e condensada novamente – com este processo os sais são separados da água.

A osmose dá-se fazendo a água circular através de umas membranas semipermeáveis que retêm os sais espontaneamente e deixa passar a água, a osmose consiste em adicionar sais à água. Na osmose inversa, através de pressão (a reacção já não se dá espontaneamente), faz-se passar a água com sais diluídos pelas membranas para reter os sais de um lado e a água de outro.

Depois de estes processos terem sido concluídos, a água deve ser tratada compensando sais ou nutrientes que estejam em falta, de modo a esta ter os valores mínimos recomendados ao consumo.

Dado a escassez de água doce e o aumento do seu consumo de dia para dia, começa-se a pensar que os oceanos serão a maior fonte de água doce para matar a sede do sertanejo.

Francisco de Sousa é um desses agricultores que mudou de vida e acabou com o sofrimento de procurar água para beber. Ele diz com orgulho que o precioso líquido que consome depois da implantação do aparelho, que produz dois mil litros de água por dia, o que vale 60 mil litros por mês, melhorou sua vida e de sua família.

A Secretaria da Agricultura e Recursos Hídricos, que agora tem como Secretário Domingos Sávio é que acompanha o processo na cidade de Canindé. Na região a maioria dos poços perfurados tem água salgada, daí a necessidade da implantação do aparelho.

“Se perfurarmos 50 poços, 49 apresentarão água salgada”. “O projeto visa diminuir a desigualdade social, as doenças diarreicas, além da harmonia do homem com a natureza”, explica o responsável pela manutenção dos aparelhos.

Essa iniciativa faz parte do Programa Água para Todos do Plano Brasil Sem Miséria, que assumiu a meta de aplicar a metodologia do programa na recuperação, implantação e gestão de 1.200 sistemas de dessalinização e beneficiar, com isso, 500 mil pessoas, com investimentos de R$ 168 milhões no Nordeste castigado pela falta de chuvas. Além de aproveitar a água para beber, o dissalinizador tem outra função o aproveitamento da água salgada que serve para os animais e criação de peixes.

Diante dessa oferta a Prefeitura de Canindé está construindo pequenos barreiros ao lado do aparelho para reter a água que antes era desperdiçada.

FOTOS E TEXTO: ANTONIO CARLOS ALVES
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