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ADUTORA DE 53 QUILÔMETROS NÃO MATA SEDE DO POVO SERTANEJO, MAS SERVE PARA CONSTRUÇÃO DE CASAS E FABRICAÇÃO DE TIJOLOS NO SERTÃO.

A água do Sertão
O que deveria servir para matar a sede de mais de 90 mil pessoas, no Município de Canindé, cidade conhecida internacionalmente por abrigar o maior santuário franciscano das Américas e receber milhares de devotos franciscanos, passa mais tempo com problemas e gera revolta ao povo que enfrenta uma das maiores crises hídricas dos últimos 50 anos, do que funcionando.

Com todos os problemas, a cidade deverá ficar 10 dias sem água, isso foi o que informou os técnicos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE, mas pediram para não serem identificados, temendo represálias da direção do órgão.

Eles disseram que a empresa CEMANCOL, responsável pela instalação da adutora, não receberam o dinheiro do governo do estado e quem sofre com isso é a população, porque eles não têm status de técnicos especializados no assunto. ‘’Quem deveria cuidar do problema era a empresa, mas deixaram o estopim nas mãos de quem não entendem’’, salientou o funcionário que conversou com O Jornal o POVO/C4NOTICIAS.

O aqueduto de 53 quilômetros para beneficiar a sede de Canindé e várias comunidades rurais do município de Caridade, gera desperdício e, a água que jorra nos vazamentos, estar sendo utilizada para diversos fins, entre eles construção de casas e fabricação de tijolos.

A Reportagem do POVO/C4NOTICIAS percorreu todo trajeto no dia de ontem e pode constatar várias irregularidades. O que mais chamou atenção foi à construção de seu Antônio Teixeira dos Santos de 61 anos na comunidade de RENGUENGUE 02.

O velho aproveita a água do vazamento para construir uma casa para um familiar que vive sem teto. ‘’Comecei carregando água do rio por mais de cinco semanas, mais depois que a canalização estourou nos meus pés, não pensei duas vezes e uso essa água que serve para tudo’’, disse a Reportagem.

Se Antônio ganha com os vazamentos, Valdomiro Ricardo da Silva de 64 anos têm uma história ruim de contar. Sentado sobre os canos da adutora, lamenta o tempo perdido para conseguir água de um poço a mais de seis quilômetros de sua residência. ‘’A água é difícil, os vazamentos já existem há mais de três meses e a fome a sede impera na região’’, denuncia.

‘’Não tiro dos canos, porque tenho medo de ser preso’’.

Na Lagoa dos Tavares no Município de Caridade, Francisco Cardoso Tavares de 69 anos, mostra a Reportagem à força da água que vem do açude de General Sampaio e fica empossado no nada.

‘’Isso é um absurdo. Enquanto muita gente passa sede, veja o que acontece nessa região’’, diz. O roubo de água em vários pontos do percurso é outro ponto visível. Na BR-020, o colaborador do JORNAL O POVO/C4NOTICIAS, foi ameaçado de ter seu equipamento fotográfico retido por um filho de uma comerciante que retira água da adutora para afazeres comerciais. Mesmo assim, o flagrante foi feito.

A adutora parte da comunidade de Pedras Pretas I, onde foi instalada uma base de injeção para pressão. A água segue pelas localidades de Pedras Pretas II e Ramalhete, entrando em seguida no município de Paramoti, no povoado de Água Boa. Logo após, segue pelo Distrito de São Domingos, em Caridade, até chegar ao destino final, na cidade de Canindé.

O açude General Sampaio tem capacidade para 322.200.000 metros cúbicos e, atualmente, encontra-se com 2,3% de sua cota máxima. Segundo técnicos da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Estado (Cogerh), mesmo com essa situação, o reservatório terá condições de atender à demanda das cidades de General Sampaio, Apuiarés, Paramoti, Caridade e Canindé. A vazão é de 180 litros por segundo até o final do ano, mas não se sabe se com esses vazamentos.

Segundo técnicos da Cogerh essa é a pior crise nos últimos 20 anos na bacia do Curu.

Essa não é a primeira vez que o Açude de General Sampaio, serve a Canindé. Em 1961, foi construída uma usina hidrelétrica no pé da barragem, equipada com um único grupo gerador, com capacidade operacional de 500 CV, para fornecimento de energia elétricas para as cidades de General Sampaio e Canindé, com uma linha de transmissão de 40 km, à tensão de 13,8 kVA. Foi à primeira linha de transmissão a longa distância feita no estado do Ceará e executada pelo Dnocs. Posteriormente a usina foi desativada.

A barragem foi projetada por conta da grande seca que assolou o Ceará em 1932, deu-se início no Boqueirão da Mãe Teresa a construção da barragem do Açude General Sampaio, sobre o leito do rio Curu. A barragem foi projetada e construída pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS), hoje Dnocs.

Essa obra atraiu milhares de pessoas ao local, sertanejos famintos corriam atrás de emprego e uma forma de sobreviver ao flagelo da seca, logo se formou um grande acampamento, ao mesmo tempo, o Dnocs construía casas de alvenaria, dando um impulso urbano ao entorno do equipamento.

Contudo, a ocorrência de uma epidemia de doenças dizimou a população de trabalhadores. Os encarregados pelos sepultamentos chegaram a deixar defuntos no caminho do cemitério para enterrar no dia seguinte.

A Casa e a água da adutora

Adutora gera problemas em Canindé

Construção de água com água da adutora

Falta água para os humanos, mas sobra para construção

Roubando água na BR-020


Mais informações:

SAAE
Avenida Francisco Cordeiro Campos, S/N - Canindé
Telefone: (85) 3343.0140
Bairro do Monte


Portal C4 Notícias - Blog O POVO Online
Reportagem e Fotos: Antonio Carlos Alves
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