11 junho 2015

Prefeito de Canindé afastado denuncia esquema de suborno


Celso Crisóstomo apresentou gravação telefônica para acusar parlamentares e vice-prefeito de terem recebido R$ 150 mil cada para aprovarem o seu afastamento. Acusados negam ter recebido dinheiro


Afastado pela Câmara dos Vereadores desde a última sexta-feira, 5, o prefeito de Canindé (a 120,2 km de Fortaleza), Celso Crisóstomo (PT), denunciou pagamento de propina a vereadores para que votassem a favor no processo que resultou em seu afastamento. 

Em entrevista ontem, na Assembleia Legislativa, Crisóstomo apresentou gravação de áudio que mostra conversa entre um assessor do prefeito e o vereador Alexandre Anastácio (PSC) sobre o suposto suborno.

Crisóstomo foi afastado da prefeitura por decisão judicial que determinou, em 27 de maio, a perda de função pública do gestor por improbidade administrativa. Ele foi condenado por uso irregular da verba de Contribuição de Iluminação Pública nos anos de 2013 e 2014, mas pode recorrer da decisão. 


Segundo o prefeito afastado, a manobra aconteceu após tomar conhecimento do pagamento de suborno por empresários da cidade a parlamentares da base aliada. Numa gravação de telefonema feita por Stenio Maciel, assessor do prefeito, o vereador Alexandre Anastácio confirmaria o pagamento de R$ 150 mil a cada um dos cinco vereadores envolvidos.


De acordo com o denunciante, esses parlamentares seriam o vice-presidente da Câmara, Heitor Menezes (PSDB); o primeiro secretário, Edson Cavalcante; Francisco Alan (PV); e Antônio de Pádua, conhecido como Antônio do Ives (PMN). O prefeito em exercício, Paulo Justa (PPL), também é acusado de envolvimento com o esquema, juntamente com empresários da região. 


“Brincadeira”




O POVO entrou em contato com Anastácio, mas as ligações não foram atendidas. Em entrevista à “Web TV CNE”, de Canindé, o vereador nega ter recebido dinheiro para votar pelo afastamento, mas confirma que houve a conversa com o assessor do prefeito. Anastácio, porém, diz que se tratou de “brincadeira”. O vereador afirma ainda que ingressará com processo judicial contra Maciel pela gravação não autorizada. 




O vice-presidente da Câmara declarou ao mesmo canal que o caso é “intriga”. Heitor Menezes acusa Crisóstomo de ter tentado “intimidar” os vereadores. “Estamos livres de qualquer acusação porque temos consciência do que fizemos”, defende-se. Ele acrescenta que entrará com processo por difamação e calúnia. 




No dia em que tomou posse, na sexta-feira, 5, Paulo Justa negou ter conhecimento do assunto e disse que não se pronunciaria sobre o caso. Para ele, é responsabilidade da Câmara apurar as denúncias.


O POVO não conseguiu contato com a Câmara Municipal e a Prefeitura de Canindé.


Para entender o caso


27/5




Justiça reconhece o desvio de finalidade na aplicação das receitas da CIP. Diante da irregularidade, o juiz determinou a perda da função pública do prefeito de Canindé, a suspensão de seus direitos políticos, o pagamento de multa civil e a proibição de contratar com o Poder Público.



2/6


Proposta de afastamento do prefeito começa a tramitar na Câmara Municipal. Crisóstomo afirma que foi chamado para reunião com três dos cinco vereadores, que teriam pedido R$ 100 mil para que não aceitassem o suborno para votarem contra o petista. O prefeito afastado diz que recusou a proposta. Após a gravação do telefonema entre vereador e assessor, Crisóstomo tentou barrar o suposto esquema.

5/6

Vereadores aprovam por 11 votos a quatro o afastamento do prefeito por 90 dias e decidem dar início a processo de impeachment. Vice-prefeito, Paulo Justa toma posse na Prefeitura. Vereadores negam existência de esquema de suborno. 


8/6

Paulo Justa inicia mudanças no secretariado da Prefeitura.

9/6


Crisóstomo denuncia esquema e afirma que entrará com embargo da decisão judicial que determinou a perda de função pública. Ele também diz que pedirá a anulação da sessão da Câmara que votou pela sua cassação e levará denúncia à Polícia e ao MPCE

Saiba mais

Celso Crisóstomo concedeu entrevista na Assembleia acompanhado do presidente estadual do PT, Francisco de Assis Diniz, e os deputados estaduais do PT Elmano de Freitas, Rachel Marques e Moisés Brás.


Elmano de Freitas tem atuado junto à assessoria jurídica de Crisóstomo. O deputado pontuou que a proposta de afastamento foi protocolada na terça-feira, 2/6, e votada na sexta-feira, 5, sem tempo para diálogo com o então prefeito.


Crisóstomo afirmou que já protocolou a denúncia junto à Polícia e ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). Ele também deve solicitar proteção policial. Até a tarde de ontem, o MPCE não tinha informações sobre a denúncia.


Em 2014, o prefeito afastado teve de recorrer de decisão do Tribunal Regional Eleitoral que determinou o seu afastamento por irregularidades na prestação de contas. Em 2013, O POVO denunciou irregularidades em contratos para a construção de cisternas no município.

Fonte Jornal o Povo

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