03 dezembro 2012

Com seca, agricultores de Canindé andam até 4 km para pegar água


Por conta da falta de chuva, agricultores perdem o gado, que não tem o que comer ou beber.
Em Canindé, no Sertão Central cearense, agricultores da zona Rural andam quatro quilômetros por dia para encher baldes com água. “Tem dias que ainda volto para buscar de novo”, diz a agricultora Ana Maria Barros Pereira. Sem água no açude da região onde mora e nas torneiras, ela conta com a água do açude mais próximo que ainda não secou totalmente.
Em 2012, o Ceará sofre uma das piores secas dos últimos 40 anos, de acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Segundo o órgão, o nível de precipitação no estado neste ano é 10 vezes inferior à média histórica anual. Devido à falta de chuva, 174 das 184 cidades do Ceará estão em situação de emergência.

A escola pública da cidade funciona há dois meses com ajuda dos vizinhos, que cedem água que é servida aos alunos. A própria escola não tem como armazenar a água.
Em Milhã, no Sertão Central do Ceará, a cidade corre o risco de sofrer um colapso de água, de acordo com o secretário da cidade Rony Figueiredo. “Não existe água no município de Milhã. Estamos pedindo socorro ao governador do estado, defesa civil, governo federal para que a gente possa suprir a necessidade de água no nosso município”, diz Figueiredo.
Segundo a Defesa Civil do Estado do Ceará, a operação Carro-Pipa, que leva água a poços por meio de carros-tanque, está atuando em 27 cidade onde a situação é mais crítica. “Paralelamente a esse serviço estamos fazendo a limpeza e bombeamento de água dos poços profundos. Em breve estaremos instalando 230 poços no Ceará”, afirma major Wagner Maia, da Defesa Civil.
O secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará, Nelson Martins, anunciou na semana passada o Projeto São José 3, que prevê o abastecimento de água de 10 mil famílias por meio de saneamento.
Já no sítio cajazeiras, na cidade do Crato, no Sul do Ceará, os veículos da operação Carro-Pipa não aparece há cinco meses. Na casa de dona Nilza a cisterna está cheia, mas ela teve que gastar R$ 100 para abastecê-la. “Tem que comer, lavar, tomar banho e não tem água. Tem de qualquer maneira que comprar. E é quando a gente acha quem venda”, conta.
Mais prejuízos
Por conta da falta de chuva, agricultores perdem o gado, que não tem o que comer ou beber. A Secretaria de Desenvolvimento Agrário não tem uma contagem oficial, mas acredita que milhares de cabeças de gado pereceram neste ano em consequência da estiagem.
As safras também sofreram prejuízo. Em 12 cidades do Ceará, a perda da safra foi de 100%. A cultura mais prejudicada foi a do milho: 90% de perda em todo o estado. O pouco alimento colhido chega mais caro à mesa. Desde o início do ano, a cesta básica no Ceará sofreu uma inflação de 12%. O principal fator responsável pela inflação na cesta básica é a falta de chuva, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

Com informações do portal G1 Ceará / agência Diário



Assessoria de Comunicação C4 Notícias
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